Resenhas

The Men – New Moon

Seguindo a recente fase mais calma, disco apresenta sonoridade menos intensa que a dos primeiros álbuns. Gritos e músicas pesadas ficam de lado.

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Ano: 2013
Selo: Sacred Bones Records
# Faixas: 12
Estilos: Noise Punk, Noise Rock, Post-Hardcore
Duração: 46:08
Nota: 3.5

Do final dos anos 80 para o início dos 90, tivemos no mundo da música um turbilhão que misturava Punk, Hardcore e Noise Rock formando um som bem denso e carregado que fez sucesso na época. Foi dessa mistura que a banda The Men iria compor suas músicas a partir de 2008, data de sua formação. Entretanto, seu quarto álbum de estúdio, New Moon, vem como uma nova fase e se apresenta com uma sonoridade diferente, menos exaltada e mais cautelosa com as caixas de som e os fones de ouvido.

Sem descansar desde 2010 até agora, a banda vem produzindo LPs ano após ano e, mesmo nesse pequeno intervalo de tempo entre os trabalhos, podemos observar uma mudança radical de seu som, principalmente da primeira metade (os dois primeiros discos) para a segunda metade (os dois mais recentes), principalmente em New Moon.

Curioso que o nome dos discos da The Men parecem traduzir o que vamos encontrar ao darmos o play nos mesmos. Os dois primeiros discos, Immaculada e Leave Home, são porradaria a todo instante. Instrumentos e vocais furiosos do começo ao fim e em todas as faixas, como um jovem rebelde que foge de casa com a roupa do corpo e decide tomar seu rumo por conta própria. Já no primeiro disco dessa “segunda metade”, Open Your Heart, vemos que o grupo diminui sua intensidade e fúria abre espaço para um pouco de lirismo e sentimentos já apresentando faixas que soam como um Punk Rock garageiro entre outras misturas que trazem o peso para baixo.

A diferença maior dessa segunda metade fica por conta do caráter menos intenso e das faixas calmas e sutis, até então inéditas na discografia da banda. Em New Moon, observamos isso com High and Lonesome e Open The Door que inclusive chegam a soar um tanto quanto Pop. Isso sem contar nas influências de Country e Blues presentes, por exemplo em I Saw Her Face e Bird Son. Vemos uma real abertura de mente por parte da banda. É claro que os riffs densos e com noise ainda estão presentes, como nas ótimas faixas The Brass, I See No One e a catártica Supermoon. Entretanto, todas sem os gritos tão tradicionais de tempos passados.

Apesar de novos, os integrantes da The Men parecem chegar em seu quarto disco de estúdio como se fossem experientes e maduros na carreira, e isso por dois motivos. Primeiro, pelo modo com o qual conseguem lidar com a construção das faixas seja em na dosagem correta de elementos musicais quanto na utilização pontual de referências externas ao Rock, como violão Country e gaita. O outro lado dessa maturidade pode ser exemplificado como aquele momento em que uma banda, caracterizada pelo seu som pesado em seu começo de carreira, percebe a idade em que está e nota que o rumo agora é outro, para algo mais contido mas que ainda gosta de relembrar seus tempos de rebeldia musical e compõe algumas faixas pesadas com cunho saudosistas.

Em comparação com seus antecessores, New Moon se mostra realmente como um novo ciclo, uma nova fase, que começou com Open Your Hearts e vem ganhando ainda mais espaço na tracklist do novo trabalho. Músicas com menos peso e uma elaboração maior, mais cadências e pausas, e a ausência dos gritos tão característicos do começo de carreira são as principais diferenças que encontramos. Entretanto, não podemos dizer que isso venha a ser um ponto negativo para o disco. Muito pelo contrário, a banda conseguiu apresentar uma nova cara para o seu som e que é digna de mérito. O problema maior pode ser por parte dos fãs antigos que podem não se familiarizar, ou até mesmo resistir, a essa novo modelo, essa nova fase da lua da The Men.

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BOM PARA QUEM OUVE: Single Parents, Fugazi, Dinosaur Jr.
ARTISTA: The Men

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).