Resenhas

The New Pornographers – Brill Bruisers

Supergrupo canadense retorna com disco inspirado

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Ano: 2014
Selo: Matador
# Faixas: 13
Estilos: Powerpop, Pop Alternativo, Rock Alternativo
Duração: 43:07min
Nota: 3.5
Produção: A.C Newman

De tempos em tempos nós, ouvintes, podemos contar com a presença de grandes bandas no nosso cotidiano musical. Algumas tem pouca pressa, se reservam o direito de não gravar com muita frequência e nos deixam com grandes expectativas sobre quando e como vão lançar novos trabalhos. Além disso, a música Pop ocorre em ciclos, você já sabe. Como tal, é uma manifestação cultural que tende a ser repetitiva, caso não seja tomado o devido cuidado em relação a quesitos como originalidade ou autenticidade. O grande trunfo deste supergrupo canadense é não sucumbir à tentação de imitar grandes bandas inspiradoras do passado, uma vez que o alvo de The New Pornographers é a música Powerpop dourada, típica da década de 1970. Não se espante, ele faz tudo parecer como se fosse inventado hoje e a sensação de novo, de refrescância sonora está garantida. Já correm 18 anos desde a formação da banda, surgida da união de gente bacana como A.C Newman, Neko Case, Dan Bejar e Katryn Calder, entre outros, que encontraram tempo e disposição em relação às suas carreiras para um projeto coletivo.

Brill Bruisers é o sexto álbum do grupo e atualiza essa pegada Powerpop, misturando com sutilíssimas texturas New Wave, coisa muito fina. O choque dessas sonoridades lembra algumas bandas do início dos anos 1980, especialmente The dB’s e The Cars, revelando crocâncias variadas ao longo do percurso sonoro. Algumas gravações são grandiosas e beiram o épico, caso da faixa título, que abre o disco. É um registro maravilhoso, cheio de teclados, baterias grandiloquentes, vocais de apoio que vem de todos os lados, evocando os melhores momentos da segunda banda mais famosa de Paul McCartney, Wings. A tal associação com sonoridades mais oitentistas já surge na faixa a seguir, Champions Of Red Wine, com teclados característicos, andamento clássico na guitarra e vocais angelicais de Neko Case. É o tipo de canção aparentemente simples, mas cheia de pequenos truques e sutilezas de estúdio.

Fantasy Fools é outra pequena maravilha, com bateria espaçosa, vocais mixados com efeitos e ecos, lembra algo que surgiria caso Elton John encontrasse Arcade Fire num ensaio. War On Easy Coast e Backstairs são puro Rock enguitarrado evocando mais anos 1980’s, sendo que a segunda é uma homenagem deslavada ao Pop sinfônico erguido no tempo pela Electric Light Orchestra, que ainda será reconhecida como pilar da música popular mundial, se tudo der certo. Marching Orders é Pop tecladeiro acima de suspeita, Another Drug Deal Of The Heart lembra Pretenders com adição de fraseados e efeitos eletrônicos vintage, curta mas na medida certa. Born With A Sound mistura guitarras crocantes, vocais femininos, bateria reta e a impressão de dirigir ao por do sol, enquanto Wide Eyes lembra grupos ingleses como Thompson Twins e Flock Of Seagulls. Dancehall Domine é mais modernosa, com clima de pista de dança e vocais grudentos. Spydr surge como cançoneta eletrônica de possível explosão mais à frente, mas uma gaita aborta as possibilidades e conduz a melodia para outro rumo. Hi-Rise é outra canção que lembra Paul McCartney em sua veia mais experimental e o fecho com You Tell Me Where traz mais cascatas de guitarras, teclados, tudo num milk-shake bem balanceado.

O novo álbum de The New Pornographers é um milkshake de influências, referências e detalhes, tudo bem servido, misturado e potencialmente interessante. Funciona muito melhor com fones de ouvido, meio que vai proporcionar ouvir detalhes sutis deixados pela produção, para te dar aquela sensação de “caramba, olha só isso!”, típica dos bons discos Pop.

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BOM PARA QUEM OUVE: Brendan Benson, Spoon, The Shins

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.