Resenhas

The Tallest Man on Earth – There’s No Leaving Now

O músico sueco mostra sua fluência em criar arranjos melancólicos, seja na voz-e-violão ou em conjunto com outros timbres

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Ano: 2012
Selo: Dead Oceans
# Faixas: 10
Estilos: Folk, Indie Folk, Pop Folk
Duração: 39'
Nota: 4.0
Produção: Kristian Matsson

O sueco Kristian Matsson, o The Tallest Man on Earth, segue trilhando seu caminho em meio aos grandes nomes do Folk contemporâneo com seu disco There’s No Leaving Now – um bonito passeio por dez composições que continuam valorizando o potencial interpretativo do músico.

Com produção própria, o cantor dedilha guitarras elétricas, faz solo ao piano e arranja alguns muitos timbres, mas nada que indique uma mudança drástica no som do músico – como, por exemplo, o segundo disco de Bon Iver. O espírito voz-e-violão continua presente e tem seu espaço reservado em meio às faixas, nos relembrando a fluência que Matsson possui no formato.

Quem abre o disco é a guitarra de To Just Grow Away, que cresce com uma leve percussão em uma introdução instrumental de apenas 20 segundos, mas que já é o suficiente para sentirmos a falta do característico vocal do músico. Agradável, ela cresce melancólica, como se ensolarada em um dia frio, com todos os timbres sussurrando juntos para se esquentar. Revelation Blues, a faixa seguinte, segue mais ou menos o mesmo espírito, contando ainda com o sopro ao fim e uma boa dinâmica. Junto a Leading Me Now e o single 1904, a primeira metade do disco se mostra sorridente e até mesmo despretensiosa.

Essa última começa a recuperar os violões de sempre, o que fica mais evidente na quinta música, Bright Lanterns, em que a voz ecoada ganha o amparo de uma guitarra elétrica ao fundo, enquanto a versão acústica do instrumento brilha no primeiro plano. Em seguida, a música-título aparece como uma surpreendente balada mais Pop entoada ao piano. A melodia doce contrasta com a interpretação ríspida e emocionada do vocal. Uma escolha inusitada em meio ao repertório e uma execução primorosa da ideia.

Wind and Walls recupera a caipirice de sempre e faz dupla com Little Brother para seguir a pegada Folk que 1904 construiu na primeira metade do álbum. Antes do encerramento, Criminals traz um delicioso dedilhado na guitarra e abre caminho para a baladona On Every Page fechar o disco com toda a tristeza pincelada nas anteriores colocada para fora de uma só vez.

Ao invés do suspiro aparente, o que fica da audição completa é o lamento final. There’s No Leaving Now tem essa característica difícil de ser encontrada que é a de um disco que sabe ser melancólico no sentido mais puro do termo, na intensidade das emoções e na sensação cotidiana com que elas aparecem. Uma bela companhia para um dia frio com uma xícara de bebida quente.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.