Resenhas

The Wombats – Glitterbug

Terceiro disco do grupo parece tentar amadurecer forçadamente, gerando “mimimi” de adulto

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Ano: 2015
Selo: 14th Floor Records/Warner Music
# Faixas: 11
Estilos: Indie Pop, Synthpop
Duração: 39:31
Nota: 3.0

Se A Guide to Love Loss & Desperation (2007) e This Modern Glitch (2011) retratavam os “mimimis” das vidas de um grupo de jovens solteiros e festivos, Glitterbug parece retratar os de um adulto em um relacionamento sério. The Wombats envelheceu desde aquela época e é natural não fazer mais músicas como o hit Let’s Dance to Joy Division – não digo na questão estética, mas forma de croniquizar aquelas divertidas aventuras adolescentes. Mesmo naquela época, no lugar de ingenuidade proveniente da idade, havia uma ironia cínica ao enfrentar aquelas situações, o que era o elemento fundamental do humor do trio.

Aqui, o grupo abandona esse cinismo e entra um clima, talvez, sério demais – no sentido de se levar a sério e de ver a vida de forma um pouco mais sombria – e sóbria. Se aqueles dois discos tinham um clima festivo e regado à bebida, The Wombats encara em Glitterbug uma ressaca das boas e, por mais que tente se animar, a visão turva do mundo e a dor de cabeça fazem o trio parecer um bando de resmungões. No meio disso tudo, Matthew Murphy e companhia servem como porta-vozes da turbulenta história de um casal que tenta manter um relacionamento à longa distância – discutivelmente, algo adolescente, mas abordado sob a ótica de pessoas, teoricamente, mais maduras.

Apesar da história ser bem vaga e passar desapercebida pelos ouvintes mais descuidados ela está lá e seu maior problema é tentar transformar toda essa situação em uma Greek Tragedy (Tragédia Grega). Ainda assim, o humor e as letras, muitas vezes irônicas continuam presentes, como em “It’s tough to stay objective, baby/With your tongue abseiling down my neck”, de Emoticon, ou “Sometimes I like to go uptown/Where flashy people flash around/It’s extortionate and I don’t care/You can taste the pretence in the air”, de Your Body Is A Weapon, porém, elas não são o suficiente para sequer igualar as letras espertas e mordazes de outrora.

Outra mudança fundamental nesse álbum é o escopo sonoro do trio, agora se aprofundando ainda mais no Pop e nos desdobramentos do estilo durante os anos 80. Nesse campo mais “popular”, é como se o grupo tentasse soar como uma espécie de síntese entre Passion Pit e The 1975, o Pop no limiar do Alternativo – ou seria o contrário? Aqui, há mais sintetizares que em This Modern Glitch e um clima ainda mais Synthpop, ao que tudo indica, mirando no público de bandas como La Roux, CHVRCHES e até mesmo Phoenix. Para surpresa de muito, há alguns respiros na vibe Pop, em momentos à la A Guide to Love Loss & Desperation que surgem em trechos mais roqueiros, como em The English Summer e Pink Lemonade.

A mudança para esse lado mais Pop não é problema e eu diria que essa estética mais popularesca é o que salva o disco de ser só mais uma extensão dos maneirismos do grupo – e que até gera alguns momentos divertidos e dançantes, como Give Me A Try e Headspace. É o teor lírico, que já foi a característica mais marcante do trio, que deixa a desejar aqui. Aceitar “mimimis” de adolescentes até vai, mas ouvir isso de adultos, em busca da tal maturidade, não é a coisa mais fácil de se conseguir. Ouça This Is Not A Party e vai entender.

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BOM PARA QUEM OUVE: The 1975, Phoenix, Passion Pit
ARTISTA: The Wombats
MARCADORES: Indie Pop, Synthpop

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts