Resenhas

Tom Zé – Tribunal do Feicebuqui

Músico conta com amparo de bandas amigas para rebater críticas feitas nas redes sociais sobre sua participação em um comercial da Coca-Cola

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Ano: 2013
Selo: Independente
# Faixas: 5
Estilos: MPB, Funk Carioca, Samba
Duração: 14:30
Nota: 3.5
Produção: Daniel Maia

“Que que custava morrer de fome só pra fazer música?”. A conclusão da homônima primeira faixa de Tribunal do Feicebuqui dá todo o tom da ironia presente no disco, feito após a confusão gerada quando Tom Zé foi contratado para dar voz a uma propaganda em vídeo da Coca-Cola. Fosse qualquer artista, outra marca ou qualquer outro país, talvez isso não rendesse nada. No caso do Brasil de 2013, argumentos mesquinhos atolaram as redes sociais contra o cantor por mostrar-se “vendido”.

Ao mesmo tempo em que as críticas negativas (às vezes negativas) apareciam aos montes, um verdadeiro exército pró-Tom Zé vestiu a camisa para defender o músico. Dentre eles, Emicida, Tatá Aeroplano e músicos das bandas O Terno, Filarmônica de Pasárgada e Trupe Chá de Boldo. Junto do produtor Daniel Maia, foi essa a equipe que co-concebeu as cinco canções do compacto – prometido para virar um álbum completo em breve.

As faixas vem no melhor estilo que consagrou o músico. Tudo começa com a acusação (“Já não olha mais pro samba, tá estudando propaganda”) em uma dos momentos mais divertidos de todo o disco – e vale destacar a fala de Emicida: “Tá errado isso aí, não é o Tom Zé que eu conheço, então. Se fosse do Dolly, pelo menos”.

A seguinte, Zé a Zero, explica mais da proposta problemática: “A copa aqui co qui calé? É coco colá, aqui copa coca acolá, fazendo propaganda do Tom Zé” em meio a comentários de “Nossa, nada a ver” ao fundo. Logo depois, a típica batida do Funk Carioca inicia Taí, que usa a base melódica de Ta-hi, clássica marchinha de Joubert de Carvalho usada como jingle do guaraná Taí na década de 70, e entra aqui como um argumento nacionalista exacerbado e ufanista (“Se o rei ianque quiser um dia descer do tanque, do pedestal, tomar a força do guaraná, tem que vir aqui ou mandar buscar”).

É quando Tim Bernardes e seu O Terno entram em cena com Papa Francisco Perdoa Tom Zé, um pedido de absolvição do artista e sua defesa irônica e ilegítima: “Quero civilizar o capitalismo selvagem, quero trazer a luz para toda a ignorância. Como bem-feitora – não desejo o mal -, assim como não quis o velho amigo Cabral.

Irará Iralá traz o concretismo das aliterações ao reverenciar a cidade-natal do artista, para onde ele promete reverter a grana ganhada com o negócio para um promissor projeto musical. A história dele é contada através de referências a diversos nomes, colocando sua própria identidade como veredito. O Tom Zé na propaganda é o mesmo que cresceu em Irará, o tropicalista na época e músico sempre. Ele é defesa o suficiente para suas ações.

Esta primeira versão de Tribunal do Feicibuqui é uma ótima prévia para o trabalho maior que virá por aí. Reúne as melhores qualidades do músico com o momento propício para lançar uma obra bem humorada para uma situação que por si só parece uma piada pronta. Que venha o disco todo. Odiadores vão odiar.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.