Resenhas

Trust – Joyland

Repetindo a mesma fórmula do primeiro disco, mas se aventurando em novas referências, disco ganha destaque

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Ano: 2014
Selo: Arts & Crafts
# Faixas: 11
Estilos: Coldwave, Synthpop, Industrial
Duração: 50:04
Nota: 3.5
Produção: Robert Alfons
Itunes: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42232395&estat_id=0&sid=91532012616422648251052318
Livraria Cultura: https://itunes.apple.com/us/album/joyland/id797291015?uo=4

Sejamos sinceros: O sintetizador é um dos instrumentos mais legais para ser usado na composição de discos. Seja nos hipnotizando com uma face mais lisérgica, como bastante conhecido em discos de Tame Impala e Neon Indian, ou nos sacudindo com seus samplers dançantes e Pop, tais como CHVRCHES e Passion Pit fazem, a questão é que ele é um dos instrumentos mais versáteis que temos. Não que guitarras, baixos e baterias não sejam. Mas, quando se trata de teclas e módulos de som, o céu não parece ser o limite. E, nesta nova empreitada de Trust, o instrumento em questão ganhou o papel principal.

A área mais atuante dos sintetizadores em Joyland é a do Synthpop, ou seja, este é um disco para se dançar, e muito. Mas então o leitor deve estar se perguntando: Qual é, afinal, a novidade em um disco que agrega estes elementos? Aí que entra a maestria e as infinitas possibilidades que estes teclados são capazes de fazer. Aqui não é uma questão de colocar uma batida, um pad de fundo, um baixo e uma melodia. Não. O trabalho que o projeto francês é mais minucioso do que isso, tanto que as faixas acabam ganhando uma imprevisiblidade. Não de uma mudança de gênero (afinal, todas estão dentro deste domínio Synthpop), mas das abordagens e ambientes distantes que são criados aqui.

Slightly Floating poderia levar um ouvinte despreparado a achar que na verdade Trust é um projeto de Ambient Music, devido ao grande uso de pads, reverbs e pouca voz. Mas a segunda faixa, Geryon, já te dá um chute na bunda e te bota para sacudir a cabeça no melhor estilo quatro por quatro que lembra bastante nomes de Coldwave e até mesmo Industrial Eletrônico. Esta exploração entre estes gêneros é bastante interessante e parece ser uma marca registrada do ex-duo (que teve a saída da cantora Maya Postepski, atualmente no projeto Austra). Desde seu primeiro álbum, intitulado TRST, percebemos essa predileção pelas vertentes quase góticas e Industriais, fato que acaba pesando, como uma espécie de preguiça por novas sonoridades (o constante desafio na vida de um artista).

Mas, de fato, não dá para dizer que os disco são iguais. O que mais mudou de um para outro são as referências e comprações possíveis de se fazer ao se escutar. Por exemplo: Joyland parece uma mistura de Gigi D’Agostino com Empire Of The Sun, porém com o auxílio de alguns psicotrópicos (no caso, cocaína). Are We Arc e Icabod parecem que estão sendo cantados por Till Lindemann (vocalista da banda de Metal Industrial, Rammstein) porém de uma forma mais melódica e tranquila, sendo que é praticamente impossível não ouvir um toque instrumental de Chrome Sparks. Até mesmo o duo Crystal Castles ganha uma citação de referências dentro deste universo de Joyland.

O disco mostra que, por mais que a fórmula Industrial e Pop do primeiro álbum se repita, as referências não são as mesmas, sendo até curioso ficar se perguntando “o que isso parece?” cada vez que mudamos de música. Portanto, se o primeiro disco te agradou não há motivos para deixar de lado o segundo trabalho deste projeto, agora encabeçado apenas por Robert Alfons.

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ARTISTA: Trust

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.