Resenhas

tUnE-yArDs – Nikki Nack

Merrill Garbus consegue trazer seus melhores atributos para um disco muito interessante

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Ano: 2014
Selo: 4AD
# Faixas: 12
Estilos: Indie, Folk Experimental, Freak Folk
Duração: 41'
Nota: 4.0
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fnikki-nack%2Fid838008963%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

Não sei o quanto é presunçoso dizer isso, mas sempre encarei como se Nikki Nack tivesse um desafio para cumprir para com a minha pessoa: Me impressionar tanto quanto Bizness, a única faixa de whokill que sobreviveu ao tempo nas minhas listas de reprodução, consegue me deixar de queixo caído até hoje. É injusto fazer isso com um disco, eu sei, mas sabe quando você se percebe tendo uma aproximação que não planejou para com algo? Foi o que aconteceu comigo aqui. A ideia de ouvir o novo álbum de tUnE-yArDs me dava a sensação de dar uma nova chance a alguém interessante, mas que não parecia ser pra mim.

A corrida para o ouro de Merrill Garbus em meu coração começou com o lançamento de Water Fountain, música e clipe incríveis, do tipo que empolga de verdade. Começamos bem! Quando dei o play e começou Find a New Way (bem boa, por sinal), a ansiedade para a próxima faixa falava mais alto. Na verdade, após algumas audições, elas parecem uma só. Ou, ao menos, a sequência cumpre o papel de introdução, de abrir terreno em menos de sete minutos (no total) para o que vai acontecer dali pra frente. A partir daí, o desafio mudou para: “Será que essa empolgação toda vai continuar?”.

Quando Time of Dark chega, dá pra sentir que estamos em outro ato da narrativa. Mais densa e com a percussão menos em primeiro plano, ela traz um coro quase folclórico (podemos chamar de Folk?), vozes que parecem atravessar séculos para chegar até aqui em formato século 21. Falando nisso, a música seguinte (Real Thing) faz a mesma coisa, porém em menos décadas deste e do século anterior. Tem um quê vintage ali escondido em sonoridades tão contemporâneas.

Foi a partir daí que tentei diminuir minha desconfiança e começar a tratar cada virada de faixa como um novo território a ser explorado no mapa que é Nikki Nack. Outro aspecto positivo dele, além dessa pluralidade de humores, é um despojo muito agradável – a começar pelo título (“knick knack” significa “brinquedo”) (o que fica mais evidente ainda no interlúdio Why Do We Dine on the Tots?). Assim fica mais fácil apenas curtir o disco, sem muitas ambições. Ufa.

Antes desse interlúdio, Look Around diminui o ritmo para recuperar o fôlego para a próxima, Hey Life, que traz uma urgência boa, um pique legal pra quem não para no dia a dia (não se surpreenda se aparecer um clipe amalucado dela em breve). Depois ainda vem Sink-O, na mesma pegada, sem deixar a peteca cair.

Daí, rumamos ao que parece ser o último ato da história. Stop that Man é a mais obscura do disco (mas sem destoar demais). Seguida dela, vem Wait for a Minute, talvez a que menos chame a atenção em todo o disco. Left Behind recupera o que ouvimos nas primeiras faixas (e, acredito, o que a maioria espera de uma música de tUnE-yArDs). Rocking Chair encerra o todo voltando a ser mais folclórica e voltando a trazer qualidades mais destacáveis ainda ao trabalho, com as vozes em primeiríssimo plano e pouquíssimos acompanhamentos. Encantadora.

O veredito é que Nikki Nack conseguiu me conquistar bem mais que seu antecessor sim e, ao contrário dele, não sei quantas músicas ouvirei isoladamente – elas ficam melhores juntas. Ponto pra Merrill. Espero que você também se deixe levar por essa loucura toda e, principalmente, estabeleça razões pessoais para ouvi-lo. A experiência da audição assim é melhor ainda.

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BOM PARA QUEM OUVE: Kimbra, Sufjan Stevens, St. Vincent
ARTISTA: tUnE-yArDs

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.