Resenhas

Twin Shadow – Eclipse

Caminho da superprodução aponta para uma obra mais consiste na carreira do músico

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Ano: 2014
Selo: Warner Bros.
# Faixas: 11
Estilos: Pop, Synthpop
Duração: 38:05
Nota: 3.5
Produção: George Lewis Jr.

Ao lançarmos o olhar sobre George Lewis Jr., que se apresenta sob a alcunha de Twin Shadow, e também sobre sua carreira até então, podemos notar que o assunto que se sobressai a respeito do músico, sem sombra de dúvidas, é… ele mesmo. Acima de sua música, seu propósito artístico ou de qualquer olhar crítico a respeito do material que ele produz teremos a luta pessoal de Lewis Jr. em direção a fama. Do destaque que o artista dá à própria imagem – seja sempre protagonizando onipresente as capas dos próprios álbuns e seus videoclipes -, até à maneira sintomática que Lewis organiza sua banda orbitando em torno de si mesmo (como no vídeo abaixo), sempre teremos a persona do astro no foco.

Acima de qualquer julgamento moralista, Twin Shadow parece saber que o caminho para a fama se dá justamente na construção da sua auto-imagem, mesmo que isso signifique assumir a personalidade egóica e cínica que gaba-se repetidamente de sua própria masculinidade. Por isso mesmo, seu primeiro álbum sob o contrato de uma grande gravadora, é o motivo para anunciar-se como se fosse uma “estreia” (embora este seja o terceiro de sua carreira), ainda que essa estrategia pareça caminhar no caminho oposto da realização artistica de bandas contemporâneas.

A parte boa dessa história toda é que temos a impressão em Eclipse de que o artista finalmente se encontrou, e, atingindo a meta que almejou durante todo esse tempo (a saber, uma superprodução Pop), parece caminhar paradoxalmente no caminho da sofisticação da própria música. Por isso, quando a capa de seu álbum passa a ser não mais ele mesmo, mas sim, ele mesmo na sombra, seu álbum caminha, musicalmente, para um caminho mais sombrio, e por isso mesmo, mais denso e consistente (assim sendo, o nome Eclipse não poderia caber melhor).

Afora as guitarras, abandonadas pelo vocalista, temos um Sythpop ligeiramente mais escurecido que os trabalhos anteriores, mas muito mais assumido e coerente (não existe mais a necessidade de luta quixotesca contra o estigma do Indie, por exemplo). Old Love/New Love é o melhor exemplo (aliás, de toda sua carreira eu arriscaria dizer) do que é, afinal, Twin Shadow: Pop feita para pistas de danças, com um apelo sexy e um groove que só um showman entertainer como ele sabe fazer.

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BOM PARA QUEM OUVE: JMSN, How To Dress Well, Blood Orange
ARTISTA: Twin Shadow
MARCADORES: Pop, Synthpop

Autor:

é músico e escreve sobre arte