Resenhas

Victorino – Mês de Maio

Disco de estreia de produtor é feliz em trazer relações saudáveis entre o Folk e a Eletrônica

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Ano: 2017
Selo: DaFne Music
# Faixas: 11
Estilos: Chillwave, Pós-MPB,
Duração: 38:55
Nota: 3.5
Produção: Victorino e Guilherme Geyer

O interessante de produzir músicas que misturam diversos gêneros não é bem a quantidade de sonoridades envolvidas, mas a forma como elas se ligam. Um artista pode conseguir colocar em um mesmo espectro Samba e Rock, mas, se a relação entre eles é algo pura e simplesmente estético, as coisas ficam extremamente superficiais. Portanto, este é um processo calculado e que exige bastante de um artista, mostrando-se uma raridade hoje em dia, ainda mais no cenário brasileiro. Felizmente, há aqueles que pensam um pouco mais além das aparências e Victorino parece compreender esta dinâmica mais do que ninguém. O produtor vem de uma série de lançamentos que se mostraram como ensaios muito bem feitos para um momento em que sua sonoridade seria plenamente representada, evidenciando bons singles como Primavera e Férias.

Pois bem, o grande momento chegou. Mês De Maio, o primeiro disco completo do produtor e compositor, foi lançado e, com ele, uma sensação de calmaria e suavidade única. Neste registro, Victorino deixa claro suas referências pela forma com as une. Há uma nítida predisposição em explorar timbre e batidas eletrônicas, principalmente dentro do campo da Chillwave, bem como uma vontade de contar histórias que se aproxima bastante do Folk. Essas narrativas dão luz a um universo rico que se revela aos poucos em cada uma das onze faixas, propondo diferentes formas de autoinvestigação da personalidade do compositor. Dessa forma, este trabalho é um mergulho profundo na mente de Victorino, onde tudo lhe é querido e amigável, refletindo assim uma paz que nos é transmitida integralmente.

Férias abre o registro com um ensolarado dedilhado de violão junto de uma batida profunda. Sala de Atividades revela um Samba meio torto que junta acordes típicos do gênero com timbres um pouco mais sombrios e distorcidos. Sem Sentido abusa de sequenciadores em prol de uma música calma que explora um minimalismo típico da música eletrônica dos anos 1980, juntamente a dedilhados de violão de aço bastante Folk. Mestre Sala acelera o ritmo em uma espécie de Drum’N’Bass Folk que brinca com vocais intensos e envolventes. Nesses Tantos Anos resolve assumir uma postura Singer-songwriter pura, sem intervenções e com uma narrativa bela sobre a passagem do tempo e o amor incondicional. Já Horóscopo é um flerte da Ambient Music, quase como um Bon Iver mais otimista e mais constante. Por fim, Cadarço encerra o registro com uma bela balada montanhesca que mostram de forma clara o talento vocal de Victorino, com um timbre muito parecido com Samuel Rosa.

Em resumo, o compositor faz uma estreia certeira e bem produzida, não apenas no sentido técnico da coisa, mas também em conseguir dominar todo o fluxo de pensamento, referências e símbolos de sua mente e nos mostrar isso de forma organizada e bela. Victorino abre caminhos interessantes para seu futuro, o colocando entre boas apostas para o futuro do cenário da MPB.

(Mês de Maio em uma faixa: Rascunho)

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BOM PARA QUEM OUVE: MASM, Nuven, SILVA
ARTISTA: Victorino
MARCADORES: Chillwave, Folk, Pós-MPB

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.