Resenhas

Cabana Café – Panari

Álbum de estreia da banda reúne diversas influências da música brasileira que é popular e nos dá a sensação de algo bem inserido em seu contexto

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Ano: 2013
Selo: Balaclava Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie, MPB, Indie Pop
Duração: 38:20
Nota: 4.0
Produção: Guilherme Ribeiro e Cabana Café

Se você nasceu no Brasil, foi criado por aqui e sua família também é, pelo menos de um lado, brasileira, este texto é pra você. Nada contra quem tem um histórico de vida diferente (tenho até amigos assim), mas se você foi criado em terras tupiniquins e absorveu desde pequenininho toda a salada de melodias e influências na música feita por aqui, vai entender direitinho não só o que eu quero dizer, mas também o caminho que este disco percorre e para onde ele se destina.

Panari é o primeiro álbum da Cabana Café, banda que trabalha um som que eu não só aprecio bastante, mas também entendo como algo muito próprio dos dias de hoje, no sentido de que lembraremos dele como algo que marcou esta época que vivemos agora. Alguns chamarão de Indie pela liberdade na criação, outros adjetivarão o Rock com alguma outra palavra que o explique melhor e há quem se atreva, por preguiça ou generalização, falar logo MPB. Confesso que me simpatizo mais com esse último termo – não por preguiça, generalização ou mesmo por atrevimento, mas pela “familiaridade” com que entendo o que é música, popular e, sobretudo, brasileiro.

É um conceito mais enraizado do que meramente escolhido como classificação, o tipo de coisa que só quem é brasileiro vai entender por completo. Mas são os detalhes de “ai ai ai ai ai ai” numa música ou “parapapa” na outra, a harmonia no vocal naquelas faixas ali e palavras que não podem ser desvinculadas do que é brasileiro, por semântica ou sonoridade, como Durugum, Bem-te-vi (ambas nomes de música) ou o próprio título do disco.

Mais que isso, tem a ver com a soma de musicalidades produzidas por aqui com as quais estamos habituados a ouvir. E isso vai desde a Tropicália (como em Tapa, a melhor do álbum) até o Pop Rock (sentido em ), passando por tudo o que pode estar aí nesse meio e no Indie característico de hoje em dia (Vermelha Anã sendo o melhor exemplo).

A voz de Rita aparece hipnótica e doce, uma sereia em meio às guitarras. Essas últimas estão presentes da primeira faixa a Último Trago, que parece ser a conclusão da obra e a derradeira Pode Chover, com voz e cordas, serve como um epílogo. Panari vem também com um som caloroso, meio amadeirado, que soa “familiar” e quase nostálgico pro ouvido brasileiro.

É caseiro, tem gosto de algo que você já conhece, mas tem muita personalidade mesmo assim. Ouvir o disco é como conhecer alguém e, em poucos minutos, ter a sensação de que vocês já se conhecem há muito tempo. Para ouvidos gringos, os valores de avaliação serão outros. Porém, na perspectiva de quem é daqui, fica a cara de algo bem “da casa”.

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BOM PARA QUEM OUVE: Selton, Champu, Trails and Ways
ARTISTA: Cabana Café
MARCADORES: Ouça

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.