Resenhas

Charli XCX – True Romance

Charlotte traduz suas referências Pop ao cenário atual e vem como exemplo do que se esperar da nova música dos anos 10

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Ano: 2013
Selo: Asylum
# Faixas: 13
Estilos: Pop, Synthpop, Eletrônica
Duração: 47:00
Nota: 3.5
SoundCloud: /tracks/75018105

Ainda menor de idade, Charlotte Aitchison já não via mais motivos para focar tanto em seus estudos e estendê-los para uma possível bolsa na faculdade. A garota começou aos poucos, lançou alguns singles aglomerados a outras composições bem antigas através de um pequeno selo intitulado como Orgy Music. O material de fato nem veio a ser veiculado de fato, mas ainda assim Aitchison distribuia entre os amigos suas pequenas mixtapes. Alguns anos depois, a cantora lançou Nuclear Seasons ao conseguir firmar contatos com o produtor Ariel Reichstadt, que já trabalhou com Major Lazer, Usher, We Are Scientists e outros nomes relevantes na música atual. A canção veiculada na Web chamou atenção do site Pitchfork e acabou figurando no próprio ano de 2011 numa boa posição entre os melhores singles do ano da reconhecida página. A partir daí, Charli XCX partiu em direção ao sonho de seu primeiro disco.

Charlotte, como outros nomes ainda em ascenção, constrói uma nova cena na música Pop dos anos 10. Esquivando-se do som homogêneo e ultra-produzido encontrado nas grandes rádios, a busca pelo espaço, público e mídia não há como ser evitada, no entanto, cada vez mais, a essência e a necessidade de um material autoral é requerida pelas cantoras que se contrabalanceiam entre o Indie, o Pop e o Eletrônico de maneira sábia e fugaz, como visto com Florrie e Chlöe Howl, e até mesmo em um viés bem assessorado como acontece com Solange, Sky Ferreira e a novata Laura Welsh.

O trabalho nomeado como True Romance não traz tantas novidades em suas letras e mantém a linearidade popularesca tanto nos refrões quanto nos demais versos. No entanto, as estruturas sonoras proporcionam em dados momentos um certo pensamento fora da caixa que pode ser interessante aos acostumados com o mais do mesmo. Apesar das vocalizações recheadas de efeitos, XCX consegue apresentar bons hits ao seu público alvo, oferecendo hits mais dançantes e ainda assim com leves toques melancólicos como visto em You (Ha Ha Ha) e Cloud Aura.

As referências da jovem atravessam época e podem ser notadas em diferentes momentos em seu disco sem soar caricato: Set Me Free relembra a primeira fase de Marina & The Diamonds, Grins traz backing vocals que soam como Lana Del Rey e Stay Away poderia facilmente ser uma adaptação de Madonna nos anos 80 em hits como Borderline nas devidas proporções atuais. Charli mais uma vez consegue beber de fontes essenciais sem deixar transparecer e ainda reconstrói os tais ideais dentro de seu gênero.

A pseudo-decepção é que talvez pela inexperiência e por não ter sido tão bem direcionada é que a musicista acabou precocemente apresentando o melhor de seu material antes do tempo, deixando pra época de lançamento momentos menos interessantes como Lock You Up e Black Roses. Ainda assim, o cabelo emaranhado, a maquiagem pesada e os visuais que beiram a um Cyber Punk desatento não vem como prova de pouca dedicação ou desleixo, mas como um bom nome ainda a ser lapidado.

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ARTISTA: Charli XCX
MARCADORES: Eletrônica, Pop, Synthpop

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.