Resenhas

Future – Honest

Rapper se preocupa mais com as participações especiais de grandes nomes do que com sua música

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Ano: 2014
Selo: Epic Records
# Faixas: 12
Estilos: Hip Hop, Trap-Hop, Pop-Hop
Nota: 2.0
Produção: Epic/Freebandz/A1

Future é um artista um pouco excêntrico que concentra-se em sons futuristas. Sem medo da mudança desde o lançamento de Pluto, em 2012, ele mostra agora em Honest porque muitos rappers foram inspirados por seu trabalho desde então. Pluto inclusive ajudou a dar uma projeção maior do rapper para o meio mainstream, com faixas de sucesso como Same Damn Time e Turn On The Lights e apesar das letras não serem carregadas de sentido, cumpriram seu papel no mundo do entretenimento. Future é um rapper moderno em um mundo pós-moderno – o que talvez, possa gerar alguns conflitos no meio do caminho. Suas batidas são futuristas e eletrônicas, e as letras combinam suas próprias experiências eventualmente gangstas. Com este álbum, sua mente combina o popular mundo do Rap com seu passado para alinhar os pontos fortes dos dois mundos.

Honest é um álbum que carrega um peso, partindo das grandes participações com nomes como Andre 3000 (Outkast), Drake, Pusha T, Pharrell Williams, Casino, Lil Wayne e Kanye West. Logo na primeira faixa, Look Ahead, os samples de Santigold abrem o disco, enquanto Future narra o fruto de seu trabalho. Aqui, o disco se inicia com um ar diferente, empolgando quem espera por mais durante a audição das doze faixas que compõem o disco. Como introdução é uma aposta forte, já que é uma das canções que mais chamam para ouvir o restante do álbum.

Porém, ao longo da audição, o disco torna-se extremamente repetitivo e cansativo. Até um certo ponto, ele consegue te trazer para a atmosfera criada por Future. Principalmente com as canções que seguem, T-Shirt e Move That Dope, esta última que conta com a participação de Pharrell, Casino e Pusha T. A faixa trata basicamente do tráfico de drogas feito pelos jovens nos bairros e é uma das melhores faixas de todo o álbum.

O uso exagerado do autotune por Future não torna-se um grande problema no conjunto. A grande questão está nas faixas extremamente repetitivas e vazias, em que uma acaba sendo uma versão similar à outra. De outro ângulo, um dos pontos fortes do disco é o que mais decepciona: as participações trazem nomes grandes demais, mas acabam sendo pequenas demais quando aplicadas na prática.

I Won é uma das faixas que mais chamou atenção à princípio, por trazer a participação de Kanye West, dono de um dos melhores álbuns de Hip Hop do ano passado, Yeezus, e um dos maiores nomes da cena atualmente. A música foi feita como uma alusão à mulher de Future, Ciara, levantando a ideia de que ele é um campeão e ela, seu trofeu. Já na participação especial de Kayne, ele canta um trecho lembrando a esposa Kim Kardashian, também como se estivesse erguendo um grande prêmio conquistado. A faixa acaba sendo um bom hit para tocar nas rádios e ganhar o público mainstream, mas tem pouquíssimo conteúdo, tanto musicalmente quanto na letra. Essa inclusive é uma das faixas que mais erra no quesito “Feat”, trazendo Kanye lembrando do passado da esposa quando ela se relacionava com jogadores de futebol, resultando em uma participação muito pequena, chegando a parecer até meio desconexa no contexto. Uma faixa que tinha tudo para ser uma das mais fortes, é praticamente a mais fraca do álbum todo.

Na verdade, a impressão é que, com tantas participações, a preocupação maior era dar peso no álbum com os grandes nomes. Mas o resultado não é tão animador quanto a proposta em si, e a audição acaba tornando-se repetitiva e cansativa. Never Satisfied, com a participação de Drake talvez seja a maior prova disso: a faixa tem menos de dois minutos e Drake só aparece em poucos (dos já escassos) versos. É como se essa faixa só existisse para que o rapper fosse listado no álbum como uma das participações, o que acaba não agregando no fim das contas, já que com 1 minuto e 55 segundos, a faixa acaba num fade inacreditável. A faixa parece mais uma passagem jogada ali no meio, mas se pensarmos bem, Drake é um dos maiores nomes na lista de participações. Melhor pensar que tenha sido realmente um mau uso do que um erro proposital. Benz Friendz (Whatchutola?) é uma das únicas faixas que acaba sendo uma exceção, com a participação de Andre 3000, encarnando também o estilo gangsta de Future. Apesar de não ser uma faixa verdadeiramente empolgante, acaba tendo uma participação bem executada.

Quanto à sonoridade, a instrumentalização é bem completa e composta. Os samples são bem colocados e essa pegada mais eletrônica e contemporânea do Hip Hop é bem pensada e executada. Porém, as letras de Future e as participações superficiais acabam distraindo a audição do registro como um todo. Ao longo do disco, sente-se que a coisa vai se perdendo a cada faixa e nada é realmente marcante – nem isoladamente, nem como conjunto. Talvez, se Future tivesse se focado em realmente trabalhar mais em cima das letras e alinhar melhor as participações, o registro tivesse sido mais marcante e teria ficado mais redondo. No entanto, não deixa de ser uma audição válida, apesar da pouca expressividade entre os grandes lançamentos de 2014, principalmente na cena do Hip Hop.

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BOM PARA QUEM OUVE: Tyler, The Creator, Jay-Z, Wu-Tang Clan
ARTISTA: Future
MARCADORES: Resenha

Autor:

Largadora por vocação. Largou faculdades, o primeiro namorado e o interior. Hoje só quer saber de arte, cinema, música, fotografia e sair correndo pelo mundo.