Resenhas

Holger – Holger

Em seu terceiro álbum, banda paulistana reafirma sua identidade de criação livre e bem pensada

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Ano: 2014
Selo: Balaclava Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie, MPB, Axé-Indie
Duração: 36:27
Nota: 4.0

Quando uma banda nova lança um álbum que carrega seu nome, entendemos que aquele é um registro que mostra quem aqueles músicos são enquanto conjunto, suas principais características e ambições. Já quando isso acontece alguns lançamentos pra frente, fica a suspeita de que o grupo redescobriu sua própria identidade e precisa deixar isso mais claro não só para público e crítica, mas pra si mesmo.

O caminho que Holger percorreu até este Holger envolve um primeiro EP (Green Valley), o elogiado Sunga (que denunciava a festa “Axé-Indie” da banda, misturando as tendências em voga da música com um espírito de batucada bem tupiniquim), a sequência Ilhabela (com mais músicas em português e faixas mais espontâneas) e um disco de raridades e versões revisitadas em um momento propício para rever sua identidade, que foi a perda de um membro, que precisou deixar o projeto para se dedicar aos estudos. E é quando ouvimos o novo álbum e olhamos esse histórico que fica claro que a cara da banda não era aquela festa aparente, mas uma grande liberdade na hora de investir no som que acredita.

Pata, Pepe, Rolla e Tché mostram aqui, de uma vez por todas, que sabem o que estão fazendo e três momentos do disco deixam isso bem evidente. O primeiro é Café Preto, excelente escolha de música de trabalho para mostrar o álbum, assim como uma faixa também excelente por si só. Quem esperava uma grande farra, viu no single um desabafo mais sensível com o verso “Já não dá mais pra te esperar” repetido diversas vezes em uma métrica fora do óbvio, o que deixa ela ainda mais interessante.

Logo depois, vem a sequência Jurema e Casa Nova. A primeira é um sambinha delicioso com cara de fundo de quintal, meio cerveja e churrasco na beira da piscina, com o baixo segurando todos os elementos dentro da atmosfera do disco, mais do que a guitarra. Quando a seguinte começa, o ouvinte já foi levado pra outro lugar totalmente diferente, em uma atmosfera sintetizada e noturna. Ainda assim, a transição não assusta ou incomoda. Ouvir Holger é um convite a uma audição também com liberdade.

O terceiro desses momentos que exemplificam o disco é Monolito, faixa bem no centro da obra que demanda um estado mais contemplativo ou introspectivo do público. Tem um quê até Experimental ali, dá pra sentir um cuidado diferente que os músicos tiveram com ela na hora de gravar (e o mesmo pode ser percebido ao vivo).

Não que as outras músicas tragam um capricho inferior – muito pelo contrário, não há o que reclamar nesse sentido. Holger fez uma obra pra lá de agradável pra quem quer parar e ouvir algo bacana e também pra quem tá a fim de sair dançando. Mais que isso, Holger parece fazer toda a discografia da banda fazer mais sentido e não é difícil ver como cada passo trouxe o grupo até aqui. Serve igualmente bem para quem ainda não o conhece e para quem precisa reconhecê-lo com suas qualidades.

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BOM PARA QUEM OUVE: Tom Zé, Tereza, O Terno
ARTISTA: Holger
MARCADORES: Axé-Indie, Indie, MPB, Ouça

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.