J Mascis – Elastic Days

Novo disco consolida a inspiração no Folk Alternativo

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Ano: 2018
Selo: Sub Pop
# Faixas: 12
Estilos: Folk Alternativo, Rock Alternativo
Duração: 41:27
Nota: 4.0
Produção: J Mascis

Há diferentes formas de ouvir e apreciar este bom Elastic Days, novíssima obra solo de J Mascis, o homem que responde por grande parte do brilhantismo de uma grande banda noventista chamada Dinosaur Jr.. Uma é reconhecer seu amadurecimento como compositor, músico e faz-tudo, desses que produzem, tocam todos os instrumentos, concebem discos, batem escanteio e ainda cabeceiam pro gol. Outra é enxergar um artista à vontade no seu elemento de ofício atual, o Folk Alternativo. Se o Dino Jr tinha doses iguais de barulho, Rock Alternativo ianque e um pedacinho de capim das pradarias no canto da boca, hoje em dia, a julgar pelos discos recentes de J à frente da encarnação do grupo no século 21 e, mais ainda, em seus trabalhos solo, o Folk Alternativo venceu.

Veja, isso é bem legal. Poucas coisas são mais ridículas que um sujeito de certa idade – ele tem 52 anos – posando de guitar hero sem ter exata convicção de que deseja fazê-lo. Nada contra gente dessa idade no Rock, pelo contrário, mas é preciso certeza e empenho pra isso. Mascis não parece a fim, está mais à vontade refletindo sobre amor, rotina, adaptação e sobrevivência valendo-se de seu talento como compositor – algo que sempre foi evidente em seus trabalhos – e desenvolvendo usos mais e mais bacanas para sua voz tão característica, com registro entre o rouco e o agudo, uma marca indefectível de suas canções.

Elastic Days tem todos os instrumentos pilotados por ele, exceto pianos. Além disso, há a presença de convidados nos vocais, a saber, Pall Jenkins e Mark Mulcahy (ambos de Black Heart Procession) e Zoë Randell, da ótima Luluc, com espaço de sobra para percebermos boas e interessantes nuances neste feixe de 12 canções. Destas, três são pequenos brincos de ouro da princesa, seja por sutilezas, seja por fortes indícios. A primeira delas é See You At The Movies, que tem doçura e amor para dar e vender, sendo uma canção de amor convencional, idealizada, sonhadora, fofa. Outra marca registrada do sujeito surge gloriosa: a guitarra estridentemente melodiosa, invocada, emburrada e com muita vontade de aparecer.

As outras são Cut Stranger, com um belo trabalho de violões acústicos, com levada intrincada, mostrando também que Mascis também sempre foi um bom baterista. Tudo está presente aqui, deixando o gosto de ouvir essa canção com um arranjo elétrico. A última pepita de ouro é Sometimes que tem guitarras e violões caminhando juntos e uma pinta de canção da trilha sonora de Gilmore Girls ou outra série da virada do milênio. Tem sol, tem ar, tem levada bonitinha e – surpresa – uma sutil mudança de andamento lá pelo meio, como se você mudasse a marcha do carro. Mais uma vez fica evidente aqui a boa pegada na bateria.

Elastic Days é um disco simples, de alguém que está à vontade com seu trabalho, que se tornou capaz de expressar-se com tamanha clareza e propósito que dá prazer de ouvir pelo simples fato da objetividade e resolução. Disco enxuto e disposto a ser seu companheiro fiel. Ouça.

(Elastic Days em uma música: Sometimes)

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BOM PARA QUEM OUVE: Jim James, Neil Young, Fleet Foxes
ARTISTA: J Mascis

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.