Resenhas

J Mascis – Tied To A Star

Novo disco retoma a linha elegante do álbum anterior

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Ano: 2014
Selo: Sub Pop
# Faixas: 10
Estilos: Folk, Rock Alternativo, Folk Alternativo
Duração: 40:57min
Nota: 4.0
Produção: J Mascis

Lá no meio da década de 1980, enquanto muitos vibravam com os hits da parada Pop americana, sujeitos como J Mascis estavam nas garagens, quartinhos e cafofos, aumentando o volume dos amplificadores, ouvindo Punk e pensando em como modificar aquele cenário. O primeiro público desses abnegados, Sonic Youth, R.E.M., além de Mascis e sua nascente banda, Dinosaur Jr, era formado pelos universitários, que dispunham das emissoras de rádio alternativas, instaladas nos campi de suas faculdades. Esse quadro só seria revertido em 1991, quando Nirvana chegou ao topo das paradas de sucesso com seu segundo álbum, um tal de Nevermind. Mascis, podemos dizer, foi um dos arquitetos iniciais dessa sonoridade, um misto de agressividade e ataque com senso melódico e capacidade Pop. Esta fórmula, quando bem executada, era (e ainda é) infalível.

Mascis, a exemplo de seu ídolo maior, Neil Young, sempre teve seu trabalho orientado por duas personas: de um lado, o sujeito plácido, capaz de forjar melodias celestiais em seu violão acústico. Do outro, o endiabrado guitarrista de ataques sônicos de primeira linha. Ao longo de sua carreira, este aspecto agressivo foi mais proeminente na discografia de sua banda, Dinosaur Jr, que existiu entre 1985 e 1997, retornando em 2007, principalmente em discos como Bug (1988) e Green Mind (1991). Já na carreira solo, a partir de 1996, Mascis destinou mais espaço para sua persona mais gentil. Este sexto álbum, Tied to a Star, segue a mesma linha de raciocínio, funcionando como uma sequência do anterior, Several Shades Of Why, lançado em 2010. O que chamamos de “acústico” ou “plácido” não é eufemismo para monotonia, pelo contrário: é Folk Rock moderno e urbano, feito por quem entende do assunto.

Mascis transita com facilidade no terreno das canções mais delicadas, com base instrumental voz/violão, caso de Me Again, que abre o disco, e Wide Awake, ambas leves como o vento que sopra de tarde, sendo que a última traz a participação de Chan Marshall nos vocais. Every Morning já mostra outra habilidade de Mascis: o violão. Ele é capaz de criar uma levada que emula os melhores momentos de Johnny Marr em The Smiths e a mistura com vocais dobrados entre grave e agudo, amarrando tudo com um de seus solos saturados característicos. Coisa finíssima. Heal The Star também vai numa onda mais psicodélica, desaguando em climas orientais sem soar chata. Stumble já recupera a alquimia entre os vocais em falsete de Mascis e sua levada característica de guitarras, And Then é mais doce, tem pianos e vocais flutuantes, abrindo caminho para Drifter, instrumental e intrincada, com mais levada psicodélica oriental. Trailing Off é mais canção suspensa no ar, tamanha a leveza e o clima de paz, que são encapados por uma guitarra característica e percussão surpreendente. Come Down é mais uma canção que poderia estar num álbum de Dinosaur Jr do meio dos anos 1990, distinta pelo vocal torturado e triste. O encerramento se dá com a brejeira Better Plane, com cara de canção Pop perfeita, caso fosse arranjada para tal.

J Mascis vive uma fase em que se encontra produtivo, gravando álbuns, fazendo shows e mantendo-se como uma figura relevante dentro da música alternativa mundial. Se você não conhece seu trabalho, este álbum é uma excelente amostra do que ele pode fazer.

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.