Resenhas

Kevin Morby – Still Life

Baixista da banda Woods faz registro pessoal forte e marcante

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Ano: 2014
Selo: Woodsist
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Singer-Songwriter, Folk Alternativo
Duração: 42:57
Nota: 3.5
Produção: Rob Barbato
SoundCloud: /tracks/159960336
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/still-life/id912944646?uo=4

Discos solos são curiosos. Ao conhecer o trabalho de determinado músico em uma banda, conseguimos analisar bem superficialmente e com muito esforço de que maneira sua criação influencia na união de outras mentes pensantes. Quando temos um registro totalmente voltado para a expressão individual e as respectivas referências deste membro, podemos ver melhor suas influências. Há casos em que vemos que esta vontade de se expressar é tão grande que, tanto dentro de um conjunto como fora, as sonoridades são parecidas, como o novo disco de Thom Yorke. Porém, há casos em que este integrantes escondem fantasmas em seu incosciente e assim propõem um som bem diferente do que estamos acostumados a ouvir. É assim no novo disco de Kevin Morby, intitulado Still Life.

Baixista da banda Woods, Kevin mostra aqui o segundo esforço de tentar desvendar sua mente em um trabalho solo. O disco registra a mudança do músico de Los Angeles para Nova York para se concentrar em sua carreira solo e, de acordo o release oficial do disco, ele mostra “… o trânsito e a quietude de sua nova casa em Montecito Heights”. Pois bem, misão cumprida. O retrato aqui é feito de tal forma que ora imaginamos Kevin compondo em uma sala iluminada, ora o vemos recluso em um quarto com uma guitarra, moldando versos obscuros e depressivos.

Still Life é o termo em inglês usado para definir o estilo de pintura “natureza morta”, na qual esta retratado na pintura figuras como frutas, vasos, objetos etc. Este disco se usa do termo para dar título a uma análise introspectiva do músico sendo que às vezes temos momentos em que temos a natureza, bela e feliz, e em outra vezes a representação da palavra “morta” com canções mais escuras. É interessante ver o enfoque que o Kevin dá à sua própria analise, como fosse uma pintura em que são exploradas muitos tipos de técnicas, cores, texturas e subtemas.

O curioso é termos tanto os casos extremos, na qual apenas estas emoções opostas são evidenciadas, quanto músicas em que mistura o belo e o trágico se misturam. Drowning e Dancer são as que mais representam o lado obscuro de Kevin, já Motors Runnin e Our Moon mostram a parte que influenciou boa parte das composições Folk e alegres de sua banda principal Woods. Entretanto, Amen, Parade e The Ballad of Arlo Jones são exemplos de que estas emoções são diluíveis umas nas outras e de que o músico faz questão de mostrar que ele é humano, ou seja, nada é tão simplista como parece ser.

Still Life é um disco bom, mas melhor que isso, é um registro curioso e misterioso de auto-investigação. Funciona tanto para fãs de Woods que querem conhecer mais seu trabalho, quanto para pessoas que pegaram o disco e não tem ideia do que esperar. Um diário extremamente pessoal e ambíguo, no melhor sentido da palavra.

A identidade do disco se faz na própria dúvida humana de Kevin.

KEVIN MORBY – Parade

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.