Resenhas

La Sera – Hour Of The Dawn

Terceiro álbum solo de Katy Goodman se mostra mais alegre, mas ainda peca por trazer mais do mesmo

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Ano: 2014
Selo: Hardly Art
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock,
Duração: 30:34
Nota: 3.0
SoundCloud: /tracks/137953039

Já há alguns anos, o que foi chamado de “volta do Surf Rock” tem insistentemente batido na mesma tecla e voltado repetidas vezes na mesma fórmula “criada”, ou melhor, reambientada por bandas como Wavves, Best Coast, Vivian Girls, Girls, The Drums e outras tantas que surgiram no final da última década. A tal “fórmula” variava de banda para banda na proporção de seus elementos, mas, basicamente ela consistia em trazer guitarras distorcidas criando melodias pegajosas (uma espécie de junção entre o Surf Rock e o Garage Pop), um pouco de ruídos (Noise Pop) e um vocal pegajoso e fácil (Indie Pop), que tornava tudo aquilo muito apelativo ao público logo de cara. Vale ressaltar que a produção no começo muito rudimentar na maioria desses grupos foi ficando cada vez mais sofisticada.

Hour Of The Dawn, novo disco do projeto solo de Katy Goodman, La Sera, segue esta mesma proposta, sendo a mesma também adotada em seu antecessor, Sees the Light (2012). Porém, aqui há uma proporção um pouco maior de ruídos e guitarras distorcidas, mas balanceados pela presença em peso de melodias pegajosas e letras fáceis. Se esse álbum fosse lançado há uns cinco anos, poderia ser a Bíblia ou pelo menos uma obra indispensável dentro do gênero, porém, em 2014, muito do que se ouve nas dez faixas já perdeu seu frescor e seu senso de novidade. Infelizmente, não há nenhuma ideia nova ou algum conceito por trás que justifique o disco soar como um pastiche do que já foi feito à exaustão anteriormente – até mesmo pela própria Katy, seja com La Sera ou com sua ex-banda Vivian Girls.

Se musicalmente o disco não está tão diferente assim, liricamente Katy segue caminhos mais esperançosos e menos introspectivos e chorosos que em suas obras anteriores. Logo na faixa de abertura a moça já deixa isso claro com versos como “I won’t live like this forever, losing to the dark”. Ela continua emoldurando faixas divertidas e alegres (Running Wild, All My Love Is for You e Summer of Love) e mostra que sua arte não vem só da dor. Alguns destaques vão para as duas últimas faixas (10 Headed Goat Wizard e Storm’s End), na qual a guitarra lembra muito a de Johnny Marr, e Fall In Place e seus toques New Wave.

De certa forma, o fim de Vivian Girls parece ter tirado um peso dos ombros de Katy e o resultado foi um disco mais leve, ensolarado, feliz. Mais certeiro e urgente, o disco se torna mais instantâneo e divertido, porém ainda sofre de um problema: tudo o que é visto aqui já foi visto anteriormente muitas e muitas vezes. Ainda assim, é um disco válido e uma boa sequência para um trabalho que fez o projeto de Goodman entrar de vez no radar de muita gente.

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BOM PARA QUEM OUVE: Dum Dum Girls, Vivian Girls
ARTISTA: La Sera
MARCADORES: Indie Rock

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts