Resenhas

Phillip Long – Gratitude

Músico apresenta mais do seu estilo em seu sexto disco de trabalho em dois anos. Mais do mesmo é necessariamente ruim? Confira aqui a nossa análise.

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Ano: 2013
Selo: Musicoteca, Rockinpress
# Faixas: 11
Estilos: Indie Folk, Folk Rock, Folk
Duração: 36:00
Nota: 3.5
Produção: Eduardo Kusdra

Após dois discos elogiadíssimos ano passado, Atlas e Dancing With Fire (A Folk Opera), estrear as nossas Monkey Sessions, Phillip Long nos proporciona mais uma obra coesa em seu mais recente disco, Gratitude. Nele vemos os elementos típicos do músico: linhas interessantes de violão, um bom uso de sua voz e músicas com uma forte carga emocional resultando em um ótimo Folk.

No entanto, assim como em outros momentos, logo de cara, nos vemos diante da sensação de mais do mesmo, o feijão com arroz típico do músico, que nunca decepciona mas que poderia tentar inovar de alguma forma. Espécie de continuação espiritual de Atlas, o disco demonstra-se mais um Folk exemplar sendo feito em terras tupiniquins mas cantado em inglês. As faixas aqui são especialmente boas como a delicada Grace ou a bucólica Far On A Distant Field e chegamos a conclusão de que não conseguimos ver algo ruim sendo feito por Long.

As semelhanças com outros momentos, podem incomodar aqueles que esperavam por algo um pouco mais inovador que simplesmente a consolidação do estilo do músico, já muito bem enraizado em suas obras passadas. You Brought Me Here, While The Flowers Grow In May ou Misterious Ways são faixas decepcionantes? Não, todas estão em um patamar bom, já estabelecido pelo músico. Mas além de soarem como reproduções passadas, são de certa forma parecidas entre si tanto nas linhas de violão como na atmosfera.

Em Once(In the Name of Love), o músico diz, diante de uma orquestração usual no violão , “I’ve shaked the devil’s hands and I’ve taste his apples with no regrets”. De certa forma, tal frase pode ser uma analogia ao que o músico desempenha nesta obra, pois, ao provar o reconhecimento pelo seu trabalho e seu estilo bastante peculiar e pessoal, Long se viu preso diante de seu próprio personagem.

Quando Phillip compartilha os vocais e as funções de composição com outros artistas, as coisas começam a parecer um pouco menos usuais e mais inspiradas. Want Someone to Remember Me é uma ótima música praieira, feita com Phil Veras. Nela, o clima parece mais ensolorado, e o acréscimo de um outro vocal, sobretudo em português, ajuda a quebrar um pouco a exatidão vista no disco. Já Trapezist com Laura Wrona é de uma sinceridade e um espírito extremamente belos, sua orquestração vai sendo feita aos poucos, e a voz feminina traz um ótimo contraste a esta doce faixa. Ambas se destacam, e mostram que independente de participações especiais o músico pode tenta arriscar-se mais. Assim como a agitada e mais na linha de um contador de histórias, Ballad of Tom, fugindo um pouco do estigma da lentidão e melancolia vista em quase toda a discografia do cantor.

Gratitude não é um álbum ruim, passando longe de tal constatação. Seu talento é verificável logo de cara, e se você se deparar com o músico pela primeira vez, certamente irá considerar esta análise mais dura do que deveria ser. No entanto, o disco não surpreende quem já se deliciou com suas duas obras passadas, podendo cair no esquecimento de certa forma por não se destacar tanto assim. Todas as faixas são boas e bonitas, mas é o Phillip Long sendo como ele é e não procurando outras formas de expressão ou inspiração, algo que aguardaremos ansiosamente, quando este produtivo músico nos proporcionar o seu próximo trabalho.

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BOM PARA QUEM OUVE: Filipe C., Onagra Claudique, Bob Dylan
ARTISTA: Phillip Long
MARCADORES: Folk, Folk Rock, Indie Fok

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.