Resenhas

Purity Ring – another eternity

Dupla faz Pop de altíssima qualidade sem peso na consciência quanto a comparações

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Ano: 2015
Selo: 4AD
# Faixas: 10
Duração: 35:23
Nota: 4.0
Produção: Purity Ring

Quem não gosta de Pop não tem como ser um bom sujeito: Poucas coisas caem tão bem na vida quanto uma música que você entende rapidamente, sem ter que se preocupar com as entrelinhas. Sabemos que grande parte (talvez a maior?) da produção com este rótulo acontece ou por motivos exclusivamente monetários e/ou seguido formas homogenizadoras que retiram grande parte da sua qualidade.

Nunca foi o caso de Purity Ring, que entrega composições bacanas com arranjos eletrônicos espertos. Se já era assim em Shrines, seu aspecto Pop (ou “Future Pop”, como a dupla diz) fica ainda mais evidente em another eternity, seu segundo álbum, com faixas que poderiam ser gravadas por um grande número de cantoras, de Ellie Goulding a Rihanna, mas permanecem aqui ancoradas à identidade do duo canadense.

Enquanto o anterior foi feito à distância, another eternity reuniu os dois músicos no mesmo estúdio, o que provavelmente contribuiu para a maneira com que as faixas fluem facilmente, já que não havia empecilho para os dois trabalharem suas produções. E, enquanto alguns argumentarão que falta experimentação nesta obra, insisto que seu maior valor está na grande qualidade de suas músicas.

push pull foi lançada como single para anunciar o disco, mas prasticamente todas as dez faixas tem grande potencial de hit – ou melhor, qualquer uma delas estaria no topo das paradas de sucesso se interpretadas por uma cantora de grande gravadora, com uma produção que deixaria os arranjos mais parecidos com o que ouvimos sempre. Ouça repetition, bodyweight, begin again ou flood on the floor e comprove.

Mas Purity Ring deixa interessantes espaços em branco nas camadas que compõem seu som, o que confere personalidade às suas músicas, ao mesmo tempo que dá a possibilidade de imaginar um remix caprichado de qualquer uma delas, mesmo se você não for músico. É como um livro de colorir com apenas as lacunas essenciais preenchidas – e o desenho já ficou bonito assim.

Vale a pena ouvir enquanto trabalha, enquanto executa qualquer tarefa pela casa, na academia (para treinos mais leves) ou onde for, mesmo que seja deitado na cama cantando junto pra relaxar. É assim que se reconhece um trabalho Pop de qualidade, seja ele do passado ou, como neste caso, do “futuro”.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.