Sun Kil Moon – This Is My Dinner

Mark Kozelek abusa da fórmula dos álbuns anteriores

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Ano: 2018
Selo: Caldo Verde
# Faixas: 10
Estilos: Folk Alternativo
Duração: 89:13
Nota: 2.0
Produção: Mark Kozelek

Mark Kozelek, o cérebro por trás de Sun Kil Moon, inaugurou uma fase em sua carreira quando lançou Benji, em 2014. Nesse belíssimo disco, ele exorcizava várias perdas que sofrera na época, de amigos, de parentes, de inocência e o quanto essas ausência o haviam modificado. Desde então, alguns álbuns, EPs e faixas soltas aqui e ali, Mark mantém o mesmo ritmo, que é o de sonorizar letras enormes, longuíssimas e autorreferentes, que falam de seu cotidiano em viagens, na rua, na chuva, na fazenda ou em casa mesmo, entediado e matendo o tempo. É possível dizer que esta fórmula, após quatro anos de uso exaustivo, esgotou-se. Este novo This Is My Dinner, com hora e meia de duração em dez faixas enormes e autoindulgentes, cansa o mais bem intencionado dos seres vivos.

Não adianta a reformulação de algumas ideias para molduras sonoras, que passaram, ao longo desses quatro anos, de violões, Hip Hop e Rock, tudo soa chato, frouxo e preguiçoso, o que é uma pena, porque Kozelek é compositor inspirado e sensível. Quem aguenta uma lenga-lenga de doze minutos e meio sobre uma excursão dele à Noruega e sua conversa com uma agente que só tinha uma barra de chocolate para comer naquela noite? Esta é a história por trás da faixa-título, que se espalha com ares incomodamente eternos, mostrando uma voz baleada, instrumental frouxo que, no fim das constas, até atrapalham qualquer relevância que a história possa ter.

Quem teria paciência para uma canção intitulada Linda Blair, em referência à atriz do filme O Exorcista, na qual há um sample de uma das cenas escatológicas em que sua personagem vomita, presente ao fim de cada estrofe? Pois é isso que Kozelek oferece por quase doze minutos. Entre uma demonstração de autoconfiança extrema e igualmente extrema falta de noção, o sujeito torna a audição da faixa uma tarefa quase impossível para pessoas que não estejam fazendo isso a trabalho.

Curiosamente há uma boa faixa com pouco mais de quatro minutos, David Cassidy, em homenagem ao cantor e ator americano, ex-integrante do show adolescente Partridge Family, falecido em 2017. Kozelek geralmente presta homenagem a ídolos em seus discos e o resgate de Cassidy é bacana e sincero. Aliás, sinceridade é uma constante nos trabalhos dele, algo que pode resgatá-lo deste limbo criativo, formado por acomodação e esgotamento de ideias.

Vamos aguardar novidades deste front, por enquanto, não dá pra passar a mão na metafórica cabeça deste disco.

(This Is My Dinner em uma música: David Cassidy)

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BOM PARA QUEM OUVE: Low, Damien Jurado, Lambchop
ARTISTA: Sun Kil Moon
MARCADORES: Folk Alternativo

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.