Resenhas

The Dodos – Invivid

Meric Long e Logan Kroeber lidam mais uma vez com a morte em seu novo álbum

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Ano: 2015
Selo: Polyvinyl
# Faixas: 9
Estilos: Indie Rock, Rock Alternativo
Duração: 38:36
Nota: 3.5

Sísifo é um personagem da mitologia grega que, por suas razões, resolveu se vingar dos deuses do Olimpo. Seu castigo pelo ato foi ser levado ao mundo dos mortos, onde foi obrigado a empurrar por toda a eternidade uma pedra até o lugar mais alto da montanha mais alta, de onde ela rolava de volta. Essa versão simplificada do mito heleno me traz comparações com Invivid, quinto e recém-lançado álbum do duo The Dodos.

Os paralalos não estão só na arte da capa, feita por Victor Cayro, mas também também no clima da produção, representando algo como carregar o peso de sua própria humanidade. O encarte pode gerar também outras interpretações, porém muitas delas seguem nessa concepção de luta, de se esforçar contra algo inevitável.

Essa luta ainda parece ser contra a mortalidade, enfrentada anteriormente com o álbum Carrier, no qual a dupla lidava, sobretudo, com a morte de seu colaborador de longa data Chris Reimer. Parte das canções vistas em Invivid datam ainda desta incursão do duo aos estúdios enquanto passavam pelo luto de Chris, mas diferente das que foram parar naquela obra, as músicas deste álbum parecem mais pulsantes, fortes, encorpadas. Em uma comparação, se Carrier era como um período silencioso após a perda de alguém, Invivid é o período da consternação com o fato, período os lamentos que se tornam berros.

Com um quê mais sombrio que suas produções prévias, o disco se desenvolve através das explosões melódicas de Meric Long e da eufórica percussão de Logan Kroeber. A energia vista aqui parece fruto da raiva que acompanha a perda. Essa fúria canalizada parece vir como uma espécie de exorcismo desses fantasmas que acompanham a banda desde a morte de Chris. O ouvinte, pêgo no meio deste turbilhão de emoções, imerge nesta coleção de canções de forma a experimentar um pouco da dor do duo.

A obra passeia por timbres dissonantes da guitarra e estampidos vindos da bateria, ambos se entrelaçando e criando um misto propulsivo para a lírica de Long. Precipitation, primeira canção do álbum, começa aos ruídos das cordas e lentamente vai adquirindo corpo com a percussão e voz surgindo. Em seus mais de seis minutos, vai crescendo em volume e elementos, passando certa sensação de urgência e angústia. Faixas como Competition e Goodbyes And Endings passam os mesmos sentimentos, de se deparar com sua finitude e que aqueles que os cercam vão partir em algum momento.

Bastard, penúltima faixa do álbum, é uma das mais lentas, mas também uma das mais pesadas do registro. Somente com um bumbo e uma linha de guitarra carregada de sujeira e ecos, a música se arrasta como uma fúnebre marcha. Pattern Shadow tem a função de encerrar o álbum e ser uma espécie de resumo ou porta-voz. Em seus mais de sete minutos, a canção passeia por todos os elementos estilísticos até então mostrados no registro. Repetindo a frase “The shadow remains” quase como um mantra, Long e Kroeber se despendem de mais um encontro com seus ouvintes.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts