Resenhas

The Last Shadow Puppets – Everything You’ve Come To Expect

Alex Turner e Miles Kane voltam a compor juntos depois de quase uma década de “The Age Of The Understatement”

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Ano: 2016
Selo: Domino Records
# Faixas: 12
Estilos: Indie Rock, Soft Rock
Duração: 40 min
Nota: 3.5
Produção: James Ford

Quase uma década se passou desde o lançamento de The Age Of The Understatement, primeiro disco colaborativo da dupla Alex Turner e Miles Kane no projeto The Last Shadow Puppets. Nem é preciso dizer que muita coisa aconteceu nesse meio tempo: Arctic Monkeys se tornou uma das grandes bandas do Rock atual, catapultando Turner (que mudou-se de Sheffield para Los Angales) a um dos ícones de nossa geração, enquanto, Miles, por sua vez, pôs um fim no grupo The Rascals e saiu em busca de uma carreira solo, que lhe rendeu alguns bons momentos, mas que não o fez atingir o estrelato, como aconteceu com seu companheiro de dupla.

Percebendo a evolução dos músicos nesses oito anos que separam seu debut de Everything You’ve Come To Expect, seria normal pela parte dos fãs criar expectativas e esperar dele uma obra prima, ideia que Alex e Miles parecem brincar não só no título, como na faixa The Dream Synopsis – nela, Turner conta seus sonhos a alguém e fala o tempo todo que isso parece ser “chato” ou “uma tortura” para seu interlocutor, no que parece uma espécie de metalinguagem em relação ao próprio álbum. Felizmente, a preocupação de Turner se mostra infundada. O disco está bem longe de ser tornar tão enfadonho quanto ele aparenta achar, mas, ainda assim, tem seus momentos desinteressantes (já chegamos a eles).

Repetindo a escalação de The Age Of The Understatement, juntam-se a Turner e Kane o produtor e baterista James Ford e o violinista Owen Pallet (responsável pelos arranjos de cordas da obra). Longe daquele tom “morriconesco” do primeiro álbum, Everything You’ve Come To Expect transita mais fácil entre estilos e sonoridades sem se prender a uma estética estritamente demarcada (como visto nos extremos Bad Habits e Sweet Dreams, TN). Sente-se agora mais o peso do Rock e menos a sombra de uma decisão estética de soar “anos 60”, uma liberdade que é vista também nas letras da dupla, que parecem tentar se desvencilhar de seus projetos principais (ainda que o tom “cafajeste” de Alex, como em Used To Be My Girl, ainda esteja bastante presente em alguns momentos).

Os problemas do disco aparecem principalmente em suas baladas (Sweet Dreams, TN e The Bourne Identity), que desaceleram-no bastante e criam bolsões do que parece ser uma nostalgia desnecessária em relação ao primeiro álbum da dupla, um problema pequeno perto dos bons singles da obra (Bad Habbits, Aviation e Everything You’ve Come To Expec) ou de faixas como The Element of Surprise ou Dracula Teeth. Mais ligado ao Soft Rock e Soul dos anos 70, Everything You’ve Come t Expect parece um belo passeio pelas praias de L.A. em um pôr do sol alaranjado (um cenário e tanto para começar a curtir a noite, não?).

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts