Resenhas

Widowspeak – All Yours

Terceiro disco do duo mostra sinais de evolução, mas se mantém preso a referências passadas

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Ano: 2015
Selo: Balaclava Records/Captured Tracks
# Faixas: 10
Estilos: Indie Folk, Shoegaze, Dream Pop
Duração: 44:48
Nota: 3.5
Produção: Jarvis Taveniere
Itunes: https://geo.itunes.apple.com/us/album/all-yours/id1002467483?mt=1&app=music

Tão ambíguas quanto sua capa, são as reações que o novo trabalho de Widowspeak podem ser provocadas em nós. Vindo de uma tradição que evoca entre suas maiores referências o Dream Pop com alguns flertes com Shoegaze, o duo composto pela vocalista Molly Hamilton e o guitarrista Robert Earl Thomas sempre se sentiu confortável em expressar seus sentimentos de uma forma pouco animada e bastante simples, se usando sempre de acordes básicos e repetitivos.

Um som fácil e bastante curioso, uma vez que a monotonia que deveria se instaurar a partir dessas características foi justamente o que consolidou a identidade sonora de Widowspeak, produzindo discos bastante instigantes como seu primeiro trabalho, autointitulado. Nunca ouve uma motivação muito forte por mudar essas estruturas, o que vinculou a seus outros registros dúvidas quanto ao potencial criativo. É justamente aí que se encontra All Yours.

Como dito, é um disco que provoca reações opostas, relevando dois lados. O primeiro é o velho conhecido de entusiastas da banda: a perspectiva mais pessimista e melancólica de suas canções. Faixas como Stoned, All Yours e Hands parecem ter vindo diretamente de discos passados, o que, por um lado, mantém firme os laços fortes com sua identidade consolidada, mas também põe em questão o quão além disso a banda realmente se propõe a ir. Se ouvíssemos apenas essas faixas, poderíamos pensar em notas medianas para All Yours, mas, conforme escutamos o resto, vemos que Widowspeak caminha seu olhar e sensiblidade para um viés mais Folk, mais especificamente do Folk Americano dos anos 70. Esse é o segundo lado do trabalho.

Ainda que essa nova referência venha acompanhada (ou infectada) pela sonoridade batida de outros registros, o Folk dá alguma reavivada na monotonia benéfica construída até então. A faixa Borrowed World, por exemplo, chega a utilizar esse “Folk-deprê” juntamente com elementos do Indie Rock. Já My Baby’s Gonna Carry On apela para referências mais dançantes e agitadas, tais como as que Fleetwood Mac propuseram em seus mais famosos registros. Coke Bottle Green invoca o espírito sincero de Janis Joplin e a entristece com melancolia, produzindo uma espécie de releitura que funciona muito bem.

De qualquer forma, somos aguçados por dois sentidos ao ouvir All Yours: Somos instigados a permanecer ouvindo o trabalho pelas novas referêcias, mas também precisamos ser insistentes nessa audição, uma vez que a identidade melancólica se apodera de quase todas músicas e, para quem não é tão familiarizado com a proposta de Widowspeak, isso pode se tornar um empecílio. No fim, temos um trabalho que se destaca mas requer cuidado, tornando-se assim um trabalho de transição e que serve como ponte para os futuros discos.

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BOM PARA QUEM OUVE: Slowdive, Fleetwood Mac
ARTISTA: Widowspeak

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.