O Terno Realmente Roubou a Cena

Banda provou-se um dos grandes nomes da nossa cena Rock em uma apresentação impecável

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Fotos: Fotos: I Hate Flash/Lollapalooza

O Cinza, música de abertura do show d’O Terno, captou como nenhuma outra o clima sob o qual a apresentação começava. O céu, como antigas TVs fora do ar, castigavam o público com uma fria e fina garoa, enquanto o sol ainda se esforçava para dar as caras. Mas, mesmo chuva e alguns problemas técnicos (algumas falhas no retorno dos músicos, principalmente) não atrapalharam uma das melhores apresentações do domingo.

O trio entrou no palco vestindo capas de chuva amarelas, tais quais os fãs que vestiam as suas super inflacionadas capas de plástico ali em frente ao palco. Entre gritos estéricos (“Tim, eu te amo”) e longos aplausos, a plateia incentivava a banda, que estreava em um grande evento sua nova formação, agora com Gabriel Basile assumindo as baquetas e não sentido nenhum dó da bateria em músicas mais animadas ou nas jams mais pulsantes.

Se a banda era “forte candidata a roubar a cena”, firmou o título com sua uma hora de show. O grupo mesclou faixas de seus dois álbuns, dando maior ênfase à sua nova fase, com o recém-lançado O Terno e suas músicas mais “cabeça” e introspectivas. Ainda assim, os “rockzinhos” mais animados de 66 foram as faixas mais comemoradas e, de certa forma, traduziam melhor o bom humor que o trio mantinha no palco. Comentários de Tim e Peixe vinham quase que depois de cada par de músicas, ora cpara falar algo sobre elas, ora fazendo alguma piada – como quando tocaram um trecho do tema de Ayrton Senna ao falar da honra de tocar no Autódromo e no festival.

As piadas continuaram quando o grupo disse que Robert Plant e Jack White fizeram o papel de abrir seu show e ainda emendaram um trecho de Beija Flor (“No tic tic tac / Do meu coração / Renascerá”), de Timbalada, durante a derradeira música do show, Tic Tac – mas não sem antes brincar com o nome do palco: “Valeu, Palco Axé”.

Com quatorze músicas tocadas, entre algumas jams e improvisações, o grupo mostrou um show exemplar e cheio de momentos bem pontuados: o Rock inconsequente (Eu Não Preciso de Ninguém), a baladinha romântica (Eu Vou Ter Saudades), a faixa mais letárgica (Quando Estamos Todos Dormindo), o espaço para o improviso instrumental (Zé, Assassino Complusivo), a homenagem a Tom Zé (Papa Francisco, Perdoa Tom Zé) e a catarse rebelde (66). Um show completo e que fez seus fãs cantarem e se emocionarem com a apresentação.

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ARTISTA: O Terno

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts