Resenhas

Angel Olsen – All Mirrors

“All Mirrors” orbita entre nossos medos e nossa capacidade de nos entregarmos a relacionamentos profundos

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Ano: 2019
Selo: Jagjaguwar
# Faixas: 11
Estilos: Art Pop, Rock Alternativo
Duração: 48'
Nota: 4.5
Produção: Angel Olsen e John Congleton

Angel Olsen tem uma carreira que se fez em um crescendo. Nada daquelas histórias de surgimento estrelado. Seu início pinta a seu ouvinte uma garota um tanto estranha e tristonha do Folk, no bom Half Way Home (2012). Seus discos seguintes, Burn Your Fire For No Witness (2014) e MY WOMAN (2016), definiram Olsen como uma das artistas mais interessantes de sua geração por conseguir ir aos poucos se desdobrando em uma compositora sagaz e em uma produtora de mão cheia. Isso tudo é coroado com o lançamento de All Mirrors (2019), um trabalho grandioso, soturno e inteligente.

Para a nova fase, Angel investiu em um visual mais gótico, algo meio Barbara Steele em filmes P&B. Vestidos longos, babados, franjas e um cabelo bem alto são os elementos que construíram sua imagem poderosa que casa perfeitamente com o universo explorado em All Mirrors. Aqui, Olsen aposta em algo suntuoso, quase apoteótico, com arranjos de cordas amplos, que nos carregam pelo que parece ser um filme noir, com todo o seu ar de glamour decadente. 

All Mirrors é um disco de amor, ao bom modo de Angel Olsen, e isso significa que ele não é óbvio. As composições captam a dor, a solidão e o medo típico dos apaixonados e os transforma em algo quase palpável nos versos da artista. É impossível ouvir uma faixa como “Endgame” e não se arrepiar com a dúvida angustiante que ela carrega. Antes da versão final de All Mirrors, Angel chegou a gravar as faixas em formato acústico e ela ainda pretende lançar essa outra versão do disco no futuro. Talvez, em outro cenário, as faixas ganhem novos contornos, que não são esses epopeicos de agora.

Quando falamos em epopeia, estamos nos referindo a capacidade de Angel em transformar algo banal, corriqueiro, em um disco poderoso, que nos engole em suas cordas e orquestrações. É esse corpo grandioso do disco que o deixa tão encantador: cada violino, cada barulhinho é extremamente necessário e bem encaixado. Não são arroubos desmedidos, mas sim o cuidado de uma artista que sabe bem o que quer.

Os tais espelhos que dão título ao trabalho falam sobre representações e projeções, sobre como criamos imagens e imaginamos mundos – seja para nós mesmos ou ao lado de outras pessoas. É nesse jogo de espelhos que All Mirrors orbita: os nossos medos e as nossas entregas aos relacionamentos, bem como a solidão e o afastamento a que nos prendemos. É uma jornada íntima na qual precisamos nos deixar ser conduzidos por Angel Olsen – artista que está em seu melhor momento: segura, poderosa e incrivelmente inspiradora. 

(All Mirrors em uma música: “Lark”)

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ARTISTA: Angel Olsen

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