Resenhas

Belle And Sebastian – The Third Eye Centre

Coletânea de raridades da banda é interessante e sacia os fãs que aguardam por um trabalho inédito

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Ano: 2013
Selo: Rough Trade
# Faixas: 19
Estilos: Indie, Alternativo
Duração: 68:41
Nota: 4.0

Belle And Sebastian surgiu lá no fim dos anos 90 como uma excentricidade vinda da Escócia. Era mais um projeto de estudos que uma banda, gravaram um disco sob essa circunstância, Tigermilk, em 1996, que lhes deu um status nunca pensado. A boataria em torno da qualidade das canções do disco ultrapassou sua Glasgow natal e se espalhou pelo Reino Unido. Logo se tornaram uma banda de verdade, assinaram contrato com o selo Jeepster e iniciaram uma carreira de sucesso junto a um público indie que experimentava um momento de demanda reprimida por bandas legais, suaves, cheias de inspiração nas sonoridades oitentistas de Felt e Smiths. Para esse pessoal, a chegada do B&S foi providencial. A banda pode ter sua história dividida em três períodos.

O primeiro, em Glasgow, antes do sucesso local. O segundo, sob os auspícios da Jeepster, lançando discos como If You’re Feeling Sinister (1997) ou The Boy With The Arab Strap (1998), que só fizeram o culto e a admiração pela banda aumentarem exponencialmente. Àquela altura, o charme do B&S residia na figura da cantora Isobel Campbell e do mastermind Stuart Murdoch. Ela e um terceiro integrante, Stuart David, deixaram a banda em pouco tempo. Ele sairia em 2001 para levar adiante o Looper, seu projeto paralelo de música eletrônica, enquanto Campbell sairia após a banda registrar Storytelling, trilha sonora para o filme homônimo de Todd Solondz, em 2002.

A banda já tinha seus discos distribuidos nos Estados Unidos pelo selo Matador e o culto chegara ao Brasil, no qual a obra do B&S foi lançada integralmente pela Trama. A saída de Cambpell antecipou mais uma fase na carreira do grupo, que culminaria com a mudança de gravadora, passando a integrar o cast da Rough Trade. Era uma espécie de rito de passagem e a sonoridade da banda também mudou, passando a incorporar elementos elétricos, brasilidades, guitarras e arranjos mais encorpados. Desta forma, o B&S gravou três discos até agora: Dear Catastrophe Waitress (2003), The Life Pursuit (2006) e Write About Love (2010), com espaço para The BBC Sessions(2008) e a coletânea Push Barman To Open Old Wounds (2005), cobrindo seus primeiros anos com o selo Jeepster.

Esta nova coletânea, The Third Eye Centre cumpre a mesma função. A ideia é cobrir todo o período com a Rough Trade, ou seja, três discos de inéditas em dez anos. Apesar de parecer pouco, o B&S sempre foi pródigo em lançar singles, remixes, EP’s e registros alternativos entre seus discos oficiais, enriquecendo o espectro. Há pequenas maravilhas por aqui, como o remix dos australianos do Avalanches para I’m A Cuckoo, muito melhor que a gravação original. Suicide Girl e Last Trip, antes bônus tracks de Write About Love, mostram-se no mesmo nível das faixas oficiais do disco, várias canções que serviram como lados-B em singles ao longo dos tempos, como Desperation Made a Fool of Me,I Took a Long Hard Look e Stop, Look and Listen também se equiparam às canções oficiais. A coletânea ainda traz o remix inédito do Miaoux, Miaoux, Miaoux para Your Cover’s Blown e uma faixa do EP Books, Your Secrets.

Third Eye Centre só não leva mais uma banana por deixar de fora a singela cover da banda para Casaco Marrom, canção de Guarabira, gravada pela cantora brasileira Evinha em 1969. No geral, é um belo apanhado para saciar os fãs enquanto o novo trabalho não vem.

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.