Resenhas

Best Coast – California Nights

Terceiro disco do duo tenta crescer em sonoridade, mas continua preso em dilemas adolescentes

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Ano: 2015
Selo: Harvest Records
# Faixas: 12
Estilos: Rock Alternativo, Indie Rock, Garage Rock
Duração: 43'
Nota: 3.0
Produção: Wally Gagel

Se na resenha do mini-álbum Fade Away (2013) eu comparei o som de Best Coast a filmes de comédia romântica, dizendo que nove a cada dez acabam seguindo a mesma fórmula batida, California Nights é esse tal décimo filme, o que vai trazer alguma novidade além do que já se espera do formulaico gênero. Amor adolescente continua sendo um dos temas principais aqui, mas, explorado de um jeito menos despretensioso.

Sai de campo o Surf-Pop, que serviu tão bem à banda até agora, e entra em jogo um Rock muito mais robusto. Rock Alternativo, Grunge, Indie Rock, Garage Rock – todos esses subgêneros compõem a sonoridade, mais uma vez, menos despretensiosa do duo. Uma mudança que pode ser observada desde o lançamento da faixa California Nigths, primeiro single do álbum, e que foi lentamente absorvida pelos fãs até a chegada do todo.

O nível de produção, agora nas mãos de Wally Gagel, sem dúvidas aumentou e basta ouvir algumas poucas faixas para notar isso. Os timbres das guitarras são mais expressivos, o vocal de Bethany é mais claro, a ambiência é mais potente, os riffs são mais esmagadores, o mix é mais sujo – ainda mais quando comparado ao límpido The Only Place (2012). Tudo parece soar mais ambicioso, ao mesmo tempo que soa mais próximo ao mainstream, algo comparável a bandas como Metric, Weezer e até mesmo Smashing Pumpkins.

Tecnicamente, California Nights é um salto e tanto para a carreira do grupo. E não é à toa. Esse é um disco que pode fazer com o que o duo troque seu público de blogueiros e velhos fãs por uma imensa legião em grandes festivais ao redor do mundo. Se Bobb e Bethany já provaram ter um show animado com seus antigos hits, imagino o que poderão fazer com músicas como estas em suas mãos – faixas prontas para a “arena”.

Ainda que uma comédia romântica diferente, California Nights continua parecendo um exemplar do gênero e algumas coisas continuam como sempre foram. Vocais espontâneos, letras rasas e melancólicas com temáticas amorosas e solidão, continuam muito presentes aqui e nesse quesito específico a banda não teve uma evolução tão vistosa quanto na parte de seus arranjos. Ainda assim, essa nova sonoridade mais abrasiva corrobora com algumas letras, deixando-as mais potentes (When Will I Change) – algumas vezes, porém, o tiro sai pela culatra e acabamos ouvindo aquele mais do mesmo (In My Eyes).

O resultado é interessante e sem dúvidas uma quebra de expectativas: se você esperava mais do mesmo (novamente), não é o que o grupo mostra. Se você esperava uma mudança de 180° no que o duo vinha fazendo, esse também não foi o caso. Abruptas e sutis, essas mudanças mostraram principalmente que Bethany e Bobb agora miram mais alto, miram em um som maior e um público muito maior. E, convenhamos, um pouco de ambição não faz mal a ninguém, não é?

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts