Resenhas

Macaco Bong – Mondo Verbero

Em nova formação, banda cuiabana mantém status de um dos nomes mais interessantes da música brasileira instrumental

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Ano: 2021
Selo: Independente
# Faixas: 10
Estilos: Post-Rock, Rock Experimental
Duração: 56'

Macaco Bong tem nossa confiança já há mais de uma década e reforça esse laço, esse respeito todo, com Mondo Verbero. Em nova formação, a banda cuiabana mantém seu status de um dos nomes mais interessantes da música brasileira instrumental, dentro do meio Indie, ao oferecer uma enorme mescla de ritmos e sonoridades de diversos cantos do país para enriquecer – e situar no tempo e espaço – o seu Post-Rock.

Lançado em um fim de 2021 pandêmico, o disco é mais um do que leva o selo de “obra feita à distância”, com composições feitas por WhatsApp e Zoom (segundo informações da própria banda). Essa maneira de produzir não deixou qualquer lacuna de qualidade no álbum, que chega com todas as suas arestas muito bem aparadas. Há, no entanto, uma característica desse tempo que se mostra latente em toda obra: uma vontade expansiva de sair correndo daquelas quatro paredes onde se passa tanto tempo.

Mondo Verbero quer passear por paisagens de cores e texturas diferentes, entre estéticas do interior do país (como o Rasqueado Cuiabano em “Kãeãe”) ao clima praieiro, puxado do Reggae, na faixa de encerramento (“D’Bong na Lagoa”, irreverente até no título). Guiados pelas guitarras e pela própria natureza expansiva do Post-Rock, os músicos se permitem traduzir esse sentimento de querer viajar tão compartilhado na contemporaneidade do covid-19.

Mais do que isso, é sabido que o álbum chega em um momento politicamente conturbado (o que soa como eufemismo) no país, e esse amálgama de diferentes brasilidades encontra também outro desejo dividido por muitas partes das populações – o de um Brasil reunido, diverso e feliz. Ao invés de lamentar nossa situação, a banda prefere apontar para a utopia e nos trazer de volta algum sorriso perdido pelo tempo.

Ao chegar ao seu oitavo álbum, Macaco Bong nos relembra que não precisa provar mais nada a ninguém, de sua fluência na estética que está em sua essência à atenção afetuosa e sempre deslumbrada com a música brasileira. Mondo Verbero se mostra um trabalho de um Post-Rock amigável, feito com pés (descalços) no chão (de alguma praia imaginária) e braços abertos a um futuro (ou um Brasil) possível.

(Mondo Verbero em uma faixa: “Hacker de Sol”)

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ARTISTA: Macaco Bong

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.