Resenhas

Ramona Lisa – Acardia

Caroline Polachek – do duo Charlift- estreia carreira solo com um bom minimalismo orgânico e intimista

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Ano: 2014
Selo: Terrbile/Parannoica
# Faixas: 11
Estilos: Experimental, Darkwave, Avant Pop
Duração: 40:42
Nota: 3.5
Produção: Caroline Polachek

Após alguns anos ao lado de Patrick Wimberly, eis que Caroline Polachek, uma metade do duo Chairlift, começa a dar seus primeiros passos em carreira solo – não só como cantora e tecladista, mas também como compositora e produtora de si mesmo. E para essa estreia completa, Caroline adota o alter ego de Ramona Lisa, nome com o qual assina a sua primeira obra, Arcadia.

Utilizando-se das imagens do videoclipe (abaixo) de Arcadia, conseguimos dizer que Polachek, agora transformada nesse personagem, está se soltando de seu casulo e descobrindo aos poucos sua nova forma e os ares que lhe rodeiam. Com a estreia da carreira solo após dois discos pelo duo Charlift, Caroline começa a se aventurar por uma sonoridade que, vez ou outra em algumas faixas, ainda mostra um “quê” do que ouvíamos na dupla de Synthpop, mas que ao mesmo tempo notamos também uma busca por uma identidade para seu novo eu.

Se em seu projeto principal a moça executava canções com maior foco em sintetizadores e drum machines, com uma cadência mais suingada – mesmo que caindo para os lados mais densos – a mudança principal fica pela redução desses elementos sintéticos, deixando por conta de um quase minimalismo eletrônico – como em Dominic – que, ironicamente, soa mais orgânico e humano.

Apostando em uma mensagem auditiva de proximidade e de entrega, Ramona Lisa nos traz onze faixas que conseguem passar o recado de transição entre o antigo trabalho e os novos passos, que vão em calmaria nos mostrando seus novos olhares. As faixas mais delicadas e intimistas ficam por conta de Arcadia, Hoissing Pipes At Dawn (They’re Playing Our Song) e Wings Of The Parapets, que se apresentam mais etéreas e sublimes, indo mais para um lado Darkwave mas sem soar obscura, mas sutilmente tristes e tocantes, e que sejam, talvez, as três mais belas canções de toda a obra e que poderiam muito bem terem sua forma tomada como identidade e replicada em totalidade para um futuro álbum de Caroline. Fica a expectativa.

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).