Resenhas

Tinashe – Amethyst

Nova mixtape da cantora acerta pelo equilíbrio entre produção e performance vocal

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Ano: 2015
# Faixas: 7
Estilos: Alternative R&B, Hip-Hop
Duração: 22:17
Nota: 3.5
Produção: DJ Dahi, IamSu!, Legacy, Mae N. Maejor, Nez & Rio, Ritz Reynolds, Ryan Hemsworth, Smash David

Ametista é uma pedra associada ao nascimento. É considerada um símbolo de conhecimento e geralmente esta relacionada aos primeiros signos do ano, como Capricórnio, Áries, Gêmeos, Peixes, Sargitário e, curiosamente, Aquário. A curiosidade aqui vem da relação entre estes dois elementos que, coincidentemente (ou não), dão nome aos dois últimos lançamentos da cantora Tinashe. Aquarius foi a sua primeira experiência com um disco de estúdio, após uma sequência de três ótimas mixtapes, que incluem Black Water. Nesta nova, a cantora encara uma nova realidade, amadurecida pela experiência do disco e ao mesmo tempo com um público bem mais amplo que antes, configurando portanto uma relação de renascimento, ao contrário da definição que o nome de sua obra possui.

Amethyst reúne dois pontos cruciais para a produção de uma obra de Alt-R&B: um(a) intérprete talentoso(a) e ótimos produtores. A primeira faceta já nos é conhecida por causa de suas obras passadas, porém, aqui adentramos mais fundo nas possibilidades vocais de Tinashe. O talento da jovem é resumido nestas sete faixas e, por mais que algumas delas brinquem com clichês do gênero, percebemos que Tinashe mostra ser uma camaleoa, à medida que se adapta à realidade sonora de cada produtor. Temos uma persona suave e branda com a faixa de abertura Dream Are Real, assim como uma voz sensual e provativa em Wrong. É interessante que Tinashe lance estas faixas em um formato de mixtape, pois assim, a ausência de um conceito a deixa mais livre para explorar suas técnicas.

Esta liberdade também compete (e muito) aos produtores. Temos um compilado de ambientações exploradas em suas obras passadas que, se estivessem em um álbum de estúdio, talvez pecariam pela ausência de um conceito ou uma unidade. Entretanto, a variedade de sonoridades e a facilidade com a qual Tinashe consegue se adaptar é realmente interessante, tornando o disco muito fácil de se escutar (o que não deve ser visto como uma obra genérica). Temos neste registro desde um experimentalismo mais abstrato (Just The Way I Like You), passando por batidas mais sedutoras (Something To Feel), até chegar em algo que beira o Pop, mas nem tanto (Worth It).

Tinashe produz, como ela mesma disse, um agadecimento aos fãs pelo relativo sucesso de Aquarius. Com um novo panorama, ela cria algo que mantém sua produção atual e bastante acessível aos apreciadores de Hip-Hop e Pop. Uma excelente produção e uma ótima amostra do talento vocal da jovem.

Um renascimento de Tinashe.

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BOM PARA QUEM OUVE: Kelela, BANKS, James Blake
ARTISTA: Tinashe
MARCADORES: Alt-R&B, Hip Hop

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.