Resenhas

Ty Segall – Twins

Disco que traz referências a outras de suas obras, mas que também traz novidades em uma variedade de faixas garageiras

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Ano: 2012
Selo: Drag City
# Faixas: 12
Estilos: Garage Rock, Rock Psicodélico
Duração: 35:35
Nota: 4.5

“Sim, esse é mais um disco do Ty Segall”. Isso é talvez a primeira coisa que te venha à cabeça ao dar play em Twins, ainda mais quando se ouve Thank God For Sinners, que traz vários dos elementos já conhecidos de sua música. Mas, esse não é “só mais um” álbum de Segall e, conforme as faixas avançam, você vai perceber alguns outros ângulos e nuances de sua obra.

Se você acompanha sua carreira, já deve estar familiarizado com seu Rock garageiro permeado de tendências psicodélicas e referências aos anos 60, visto em suas oito obras anteriores. E, mais que isso, habituado com suas mudanças e experimentações que no período de um ano gerou três ótimos discos que parecem reverberar de alguma forma aqui. Em Twins, se encontram referências ao “calminho” Goodbye Bread, lançado no ano passado, o visceral Slaughterhouse, gravado sob o nome de Ty Segall Band, e também a Hair, feito em colaboração com White Fence, ambos lançados neste ano.

A versatilidade quase camaleônica de Ty é um dos pontos que mais chamam a atenção em sua obra que, não por acaso, gerou três trabalhos com vibes completamente diferentes em um curto espaço de tempo. E, em seu novo lançamento, não seria diferente. Mas, aqui, as referências a esses discos não soam como uma cópia, mas como resultado de um aprendizado de suas experimentações do passado. De Goodbye Bread, Segall retira o lirismo inconfundível e, por vezes, freak (You’re The Doctor), a aspereza e contundência das guitarras de Slaughterhouse (Ghost), e as melodias e efeitos psicodélicos de Hair (Love Fuzz).

Outro ponto inconfundível de sua música é a presença de sua guitarra inundada de distorção e dissonância, que o músico, ao longo dos anos, aprendeu a domar. Se em seus primeiros lançamentos tudo o que se ouvia saindo dela era basicamente um som potente e extremamente alto, hoje se ouve os detalhes e um melhor acabamento gerados por ela, mas mesmo assim mantendo a virtuosidade e, às vezes, brutalidade de seus riffs. Em Twins, ela assume formas inesperadas, como nas baladinhas Pop Would You Be My Love e Who Are You, com todo seu groove que parece ter sido tirado de uma festa roqueira dos anos 60 (repleta de ácido), ou da acústica Gold On The Shore, na qual Ty toca gentilmente seu violão. Mas assume também formas que já esperávamos, e que faz suas faixas tão divertidas, como na frenética You’re The Doctor ou na abrasiva Handglams.

Mesmo que Twins não apresente uma unidade tão grande entre as faixas, elas são todas realmente muito boas e essa grande variedade de temas e sonoridades que Ty Segall traz para esse álbum é o que faz dele tão interessante. Seu Garage Rock passeia por terrenos Pop, Punk e até do Shoegaze, brincando com esses estilos e tirando deles riffs pesados e distorcidos e, é claro, um volume incrivelmente alto.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts