Resenhas

Ty Segall – Ty Segall

Em segundo álbum auto-intitulado, músico apresenta uma compilação de suas influências

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Ano: 2017
Selo: Drag City
# Faixas: 10
Estilos: Rock, Garage, Psicodélico
Duração: 36:06
Nota: 4.0
Produção: Steve Albini

Há um ano, com a chegada do álbum Emotional Mugger, comentamos que, muito provavelmente por conta do ritmo incessante de produção com que Ty Segall trabalha, seus álbuns acabam por atingir sempre a mesma média qualitativa: sempre dignos de nota, embora seja difícil exigir delas uma experiência imersiva muito demorada.

No entanto, poucos ostentam um papel de tanto destaque quanto o de Segall no cenário do Rock garageiro alternativo. Seja atuando em sua carreira solo, como produtor, ou como membro de outras bandas, é difícil imaginar o artista passando desapercebido em qualquer uma de suas empreitadas. Ty Segall, seu segundo álbum auto-intitulado, vem assessorado pelo produtor Steve Albini – outro nome que nunca passa batido, apesar de sempre atuar com discrição -, e marca um novo momento na trajetória do músico até agora: consegue transcender a boa média de sua enxurrada de lançamentos.

O fato de Ty Segall ser um álbum auto-intitulado parece querer mostrar uma redefinição de quem o músico é (além de contribuir para a dor de cabeça dos fãs que, na tentativa de acompanhar seu vasto catálogo, agora também precisam distinguir entre álbuns que tem o mesmo nome). Mais do que uma redefinição, talvez o trabalho seja uma revisão do que o músico tem sido até aqui: encontramos o Metal de Black Sabbath em Break A Guitar, a Psicodelia de Syd Barrett em Warm Hands, uma afinidade com o Punk de Ramones em Thank You Mr. K, e até mesmo baladas setentistas com temperos de Beatles em Orange Color Queen.

Em um álbum que aposta na energia da gravação ao vivo, tocado pela perspicácia de Albini, Segall consegue imprimir uma jornada cheia de reviravoltas em uma trabalho relativamente curto. Em pouco mais de meia hora passamos de um solo explosivo para uma jam instrumental psicodélica e chegamos em uma balada romântica. Um trabalho feito uma atenção rara na carreira do músico, Ty Segall abre as portas para um novo momento na vida do artista.

(Ty Segall em uma música: Break A Guitar)

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Autor:

é músico e escreve sobre arte