Resenhas

Yuck – Glow & Behold

O Yuck morreu! Vida longa ao novo e hipnotizante grupo que surge em uma segunda obra totalmente distinta do que escutávamos anteriormente

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Ano: 2013
Selo: Mercury Records
# Faixas: 11
Estilos: Noise Rock, Shoegaze
Duração: 46:00
Nota: 4.0
Produção: Yuck

Esqueça todas as referências sonoras que vinham a sua cabeça quando você escutava Yuck. Elas estão guardadas em sua memória, e devem permanecer por lá de forma indefinitiva. Se antes o som do grupo bebia de fontes alternativas como Dinossaur Jr e um pouco do Noise Rock que vinha das guitarras distorcidas do Sonic Youth, agora a banda segue por outros caminhos totalmente opostos mas ainda sim noventistas. Todo o barulho enérgico foi trocado por baladas volumosas e psicodélicas, seguindo um pouco que vimos no mais recente disco do My Bloody Valentine mas menos subjetivo e mais aprazível em uma primeira escutada.

Tal mudança de sonoridade se deve a saída do vocalista, Daniel Blumberg, que dava esse toque mais Grunge e de Garage Rock pra banda. Sua voz era cortada mais ainda sim melódica o que fez com que o debut do grupo fosse tão elogiado. Glow & Behold quebra todo o ritmo anterior, desconstrói a sujeira e faz algo totalmente novo mas ainda sim interessante.

A abertura, Sunrise in Maple Shade, já indica um som muito mais expansivo, trabalhado em camadas crescentes que trazem um pouco mais de cor aos tons pastéis e cinzas que a banda usava anteriormente. Instrumentos de sopro são uma novidade, e a faixa instrumental não poderia ter sido melhor escolhida para introduzir o novo Yuck. Chocante a primeira vista, principalmente pela alegria escutada na voz de Max Bloom, um vocalista que procura não correr com suas encenações e seguir este novo fluxo mais ensolarado. Lose My Breath é puro anos 1990, um pouco Lo-Fi e com ótimas transições com a baixista Mariko Doi.

Os toques alternativos não foram esquecidos mas somente transformados em longas canções, lentas e mais viajadas. Acordes esparsos e delicados são muito bem misturados à voz de Max em Memorial Fields ou na melancólica e linda Somewhere. Nesta música, vemos como o grupo de certa forma amadureceu muito bem entre um disco e outro, e que simplesmente não consegue mais se adaptar ao som antigo após a saída de Daniel. Aliás, faz bastante sentido o guitarrista ter saído se não concordava com as mudanças de direção do Yuck. A ruptura é clara.

Se existe alguma faixa que poderia relembrar o Yuck antigo, ela seria Middle Sea que curiosamente é o single de estreía do disco. As distorções estão aqui, o volume alto de guitarras cortadas e uma bateria rápida, o vocal é mais vibrante e menos sonhador como visto nas outras músicas. Apesar de ótima, este momento é de certa forma mentiroso com o resto da obra e talvez seja mais uma nostalgia do que uma demonstração de que o grupo ainda é o mesmo. Chinese Cymbals, emocionante música instrumental ou How Does It Feel?, canção que mostra os instrumentos de sopro mais um vez, são claras demonstrações de que o grupo que conhecemos acabou.

Tais evidências não são nem um pouco tristes quando percebemos o resultado final de Glow & Behold, um maravilhoso disco mas que poderia e deveria receber o nome de outra banda pois não estamos mais diante do Yuck de antes. Rebirth, melhor música de todo o disco, indica que o renascimento do grupo parte do My Bloody Valentine original e seu Shoegaze mas sem esconder tanto a voz. A ótima linha de bateria da faixa, aliada a distorção em drone de fundo é simplesmente fantástica. O brilho do título da obra não mente e as cores e o calor surgem no meio de uma letargia hipnotizante. Esqueça e venha sem preconceitos pois o som visto no álbum deste novo quarteto não se assemelha a nada que podíamos esperar, uma bela surpresa que rompe com um legado anterior e recria-se de forma muito interessante.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.