Resenhas

Zeds Dead – Northern Lights

Disco de estreia do duo é recluso em referências repetitivas da EDM

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Ano: 2016
Selo: Dead Beats
# Faixas: 15
Estilos: EDM, House, Dubstep
Duração: 57:39
Nota: 2.5
Produção: Zeds Dead

Ao pensar na música Eletrônica radiofônica, principalmente a EDM, é difícil entender qual a ideia por trás do lançamento de um disco de estúdio. Marcado por sucessivos singles e EPs, o gênero parece dispensar cada vez mais a necessidade de uma obra que tente agrupar as faixas dentro de um conceito, justificado pela rapidez e fórmulas expressas usadas para produzir estas canções. Entretanto, de vez em quando, vemos algumas raras exceções de projetos que tentam incorporar essa estrutura em discos com mais faixas que compartilham algo em comum. Com singles consolidados entre os festivais de música Eletrônica, Zeds Dead é um dos nomes que arriscaram esta fórmula, produzindo um disco com inúmeras participações especiais e que, mesmo assim, perpetua a questão de se algo novo é realmente acrescentado a este formato de lançamento.

Northern Lights é um daqueles registro invejáveis, principalmente ao trazer nomes surpreendentes que, por vezes, não fazem parte do cenário da música Eletrônica, como Rivers Cuomo, Pusha T e Elliphant. Além destes, produtores como Diplo, NGHTMRE e Twin Shadow integram o tracklist de quinze faixas, uma marca louvável quando considerada a brevidade de registros anteriores. Contudo, é um disco repetitivo e que traz à tona os clichês da música Eletrônica, principalmente build ups exaustivos, um Dubstep pouco criativo e barulhento, samples de vozes femininas com pitch distorcidos e uma estrutura de composição preguiçosa e copiada em quase todas as faixas. O que era para ser um grande acontecimento acaba sendo uma grande compilação de faixas pouco inventivas que trazem apenas uma extensão de trabalhos passados, ou seja, sucessivas cópias.

Não é um disco ruim. A produção é profissional e firme, porém é tudo feito em um espaço extremamente delimitado e que vê poucas maneiras de sair dessa zona de criatividade. É um registro plenamente audível e gostável, mas cedo traz uma marca comum a DJs muito reproduzidos nas rádios: o apego ao certeiro. Blame, faixa co-produzida por Diplo, é dançante na medida que traz um breakdown que não vai muito além do que o duo nos apresentou em singles passados. A curiosa participação de Pusha T e Rivers Cuomo na faixa Too Young acaba perdendo o brilho ao trazer um beat e riff repetitivo. Loneliness traz um verniz mais bem acabado com o talento de Twin Shadow, mas longe de conseguir salvar a composição que acaba ficando em uma mesmice acelerada.

O duo afirma que a inspiração do título vem da necessidade de retratar a beleza da aurora boreal e transmitir por meio de suas faixas. Uma pena que o que era para ser uma fotografia viva acabou virando um cartão postal sem graça e bonitinho. No fim das contas, mais um disco de EDM que agrada seus fãs e torna o meio cada vez mais recluso às suas referências.

(Northern Lights em uma faixa: Blame)

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BOM PARA QUEM OUVE: Zedd, Calvin Harris, Diplo
ARTISTA: Zeds Dead
MARCADORES: Dubstep, EDM, House

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.