Drake – Scorpion

Quinto disco do rapper canadense traz suas duas facetas mais conhecidas

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Ano: 2018
Selo: Young Money/Cash Money/Republic
# Faixas: 25
Estilos: Hip Hop, Sample Based, Trap
Duração: 89:44
Nota: 3.5
Produção: Noah "40" Shebib, Oliver El-Khatib, Blaqnmild, Boi-1da, Cardo, Corey Litwin, D10, DJ Paul, DJ Premier, Illmind, Jahaan Sweet, JR Hitmaker, Josh Valle, Maneesh, ModMaxx, Murda Beatz, No I.D., PartyNextDoor, Nonstop da Hitman, OB e outros

O rapper Drake tem uma das carreiras mais curiosas de todo o Hip Hop. Seu início o fazia um artista relativamente underground pelo mundo, enquanto nos Estados Unidos e Canadá, ele se mantinha com estreias em primeiro lugar nas paradas. A partir de Nothing Was The Same (2013) a coisa começou a virar e Drake ganhou proporções mundiais em uma velocidade ridiculamente alta.

Desde então, ele é responsável por canções consideradas hits de das gerações novas, das quais incluímos a ilustre Hotline Bling e One Dance, de Views (2016). Entre mixtapes infinitas e discos premiados, o rapper parece ter certeza das sonoridades que se aconchega, permeando nos últimos registro aquela mistura de Trap e Hip Hop que Future e Migos exaustivamente replicaram durante a segunda metade dos anos 2010. Mas ele estaria disposto a se manter na zona de conforto por muito mais tempo ou haveria uma necessidade de ir além disso.

Scorpion é um disco duplo, e seu quinto trabalho de estúdio formal, embora ele se comporte praticamente como uma mixtape. Nele, Drake continua sua tradição de lançar registros com muitas faixas e com uma lista de produtores que supera o número de faixas, que aqui alcança a marca das 25 composições. Entretanto, aqui parece que Drake compreende sua obra como um todo e tenta agradar tanto a quem prefere sua fase mais melódica (Nothing Was The Same) quanto quem gosta das batidas Trap/Hip Hop (Views, If You’re Reading This Is Too Late). Portanto, Scorpion funciona como um Greatest Hits de músicas inéditas, contemplando estas facetas distintas e reservando um disco inteiro para cada uma delas, sendo o primeiro mas Hip Hop e agressivo e o segundo mas suave e melódico.

O primeiro trabalho por vezes entra em círculos criativos irritantes, apostando na mesma batida Trap constante e em um flow que varia pouco. Entretanto, ainda observamos o talento indiscutível que Drake tem de eleger produtores feras na escolha de samples que dão um pouco mais de brilho à mesmice. Survival, por exemplo, abre o disco com cordas em tons melancólicos com interjeições de sonoplastias 8-bit. Emotionless joga com um sample Gospel impetuoso de Mariah Carey sem abrir mão de beats típicos de sua fase If You’re Reading…. Sem esquecer de suas letras ácidas em tons de diss, Mob Ties é tensa em seus acordes, mas acaba perdendo o brilho com aquela estrutura típica do Trap. Apesar da parceria com Jay-Z, Talk Up parece ser um auto-plágio de sua obra passada e que seria ótima para preencher o setlist em um festival caríssimo qualquer.

Embora a primeira parte seja um tanto sinuosa, o segundo disco de Scorpion traz uma personalidade de Drake que as vezes esquecemos e que, por vezes, traz uma inventividade maior do que quando ele se propõe ser o rei dos hits Trap. A faixa de abertura Peak já dá o tom desta segunda metade, com uma batida mais sutil e uma ambientação soturna que traz o Drake Sad Boy à tona que todos amam. Finesse, com seu piano dramático, é potente em trazer um descanso para a primeira parte do disco, cheia exaustiva de baixos distorcidos. Há momentos em que a melodia fica em segundo plano, como em Blue Tint e Nice For What, nas quais o Rap assume uma postura principal porém mais desenvolvida e animada. Com samples de Michael Jackson, Don’t Matter To Me se assimila à nova fase de The Weeknd, melancólica e dançante. Por fim, March 14 nos introduz a uma batida confiante com um flow caprichado, só para depois nos jogar para baixo com um piano jazzístico, quase como um lamento final.

Scorpion mostra que Drake tenta fazer o melhor possível dentro de sua zona de conforto, seja qual for a proposta. Apesar de se apegar a tracklists imensas, o disco poderia ser menor que produziria o mesmo efeito no ouvinte. Há hits e singles bons, bem como faixas mais tímidas sem pretensões gigantes. De qualquer forma, este é um registro bom para quem quer conhecer a obra do rapper em ambas as suas possibilidades e, a partir daí, seguir para onde lhe for mais agradável. Um disco de muitos “Drakes”.

(Scorpion em uma faixa: Don’t Matter To Me)

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BOM PARA QUEM OUVE: J. Cole, Travis Scott, The Weeknd
ARTISTA: Drake
MARCADORES: Hip Hop, Sample Based, Trap

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.