Resenhas

Handbraekes – #1

O projeto propõe a junção de influências do príncipe do eletrônico da Alemanha, Boys Noize, com o renomado produtor francês Mr. Oizo

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Ano: 2012
Selo: Boysnoize Records
# Faixas: 4
Estilos: Electro, Techno, Deep House, Nu Disco
Duração: 15:45
Nota: 4.0
Produção: Boys Noize Feat. Mr. Oizo

O bombardeio que Alexander Ridha faz com o Boys Noize todo mundo já conhece. O produtor germânico começou desde cedo a se destacar e pouco tempo foi necessário para que já tivesse remixes oficiais de nomes como N.E.R.D, Depeche Mode, Snoop Dogg e The Chemical Brothers em seu nome. O alemão seguiu uma linha que poucos tinham tido a ousadia de seguir e virou ícone de Electro Techno, com influências visíveis de Hip Hop e Nu Disco. Conhecido por produzir faixas difíceis de mixar, o próprio Ridha ri da situação e diz que não faz música para que outros remixem. E foi essa segurança toda que fez com que o DJ lançasse seu próprio selo. A Boysnoize Records nasceu em 2005 e abraçou outros produtores e facilitou parcerias. E é de uma delas que vamos falar hoje.

Partindo desde as brasileiras, com Pouca Vogal ou Agridoce, até as mais barulhentas colaboraçõs internacionais, como Jay-Z e Kanye ou até Rusko x Cypress Hill, percebemos que a ideia de uma parceria ou é integrar e lançar influências como algo original ou distoar por completo do som de origem. Deixando o falatório de lado, partimos para uma das parcerias mais aclamadas do ano. Estamos falando do Handbraekes, formado pelo príncipe do eletrônico germânico Boys Noize e o renomado francês Mr. Oizo.

O EP, intitulado #1, segue com quatro faixas muito bem distribuídas entre os maiores talentos dos produtores. A primeira é um exemplo nítido disso: Call Gurls traz o vocal em loop típico de Oizo (“Call gurls are dead”) com o Electro rasgado de Ridha. Talvez seja o lado mais comercial de todo o EP, com samples menos pesados, seguindo a linha mais Dutch House nos drops. Riho chega a ser confusa. Tomando synths de Techno já conhecidos do Boys Noize, a faixa até engana que viria drop de ElectroTrash, mas é possível perceber que as influências de Oizo segura toda onda. Inclusive, no final da faixa, o que antes poderia ser agressivo dá espaço para uma percussão de tambor de exército inglês e sintetizadores de Deep House e Nu Disco.

Logo em seguida, achamos a The Qat meio perdida. Estamos falando de uma faixa que inicia em módulo totalmente Diplo com BPM menor, percussão mais desonexa e, inclusive, o drop de trompete em fail mode com synths rasgados em tempos espaçados. Até entrarmos, então, em Mlik. A faixa demora exatamente 30 segundos pra mostrar todo o lado Ridha que ficou em falta em todas as outras. O synth repetitivo, a percussão mais marcada e os vocais cortados dão mais ritmo e dinamicidade pra música. Com certeza, uma música que funcionaria fácil em qualquer pista.

Handbraekes foi uma daquelas parcerias que mesclou influências dos dois produtores. O que a crítica facilmente poderia fazer é reprovar o “handbreak” que, nitidamente, Oizo deu no Boys Noize e vice-versa. O que poucos poderiam entender é que ambos queriam criar e, de fato, criaram uma receita única, cuja fórmula bebeu da fonte do Electro e do Techno e passou pelo Nu Disco, Deep House e até brincou com instrumentos inusitados. O que mais agrega na cena eletrônica atual é a capacidade de criar estilos em uma época que ninguém acreditava ser possível. A nova leva de produtores de 2011-2012 provou o contrário. O que acontece é que Oizo e Boyz Noize provaram que os veteranos também não ficam pra trás.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King