Resenhas

Pet Shop Boys – Yes

Dez anos após seu lançamento, disco ousado do duo merece uma chance de ser melhor analisado e apreciado

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Ano: 2009
Selo: Parlophone
# Faixas: 11
Estilos: Synthpop, Dance Music
Duração: 48'
Nota: 4
Produção: Pet Shop Boys, Xenomania

Em uma carreira de quase 40 anos, chega um momento em que tanto o público quanto a crítica começam a questionar se aquilo que o artista produz ainda é relevante. Particularmente, para Pet Shop Boys essa crítica atingiu seu ápice em 2009, com o lançamento de seu décimo disco, Yes. O registro teve uma recepção mista e, nas suas críticas negativas, havia uma espécie de descrença para com a banda. 

Insistia-se ferrenhamente no argumento de que, apesar de boas, as músicas aqui pareciam ser cópias de outros discos. Yes nasceu à sombra de outros álbuns, dando poucas chances dele se provar como uma obra autônoma. Porém, dez anos passados da data de seu lançamento parecem ter colocado as coisas em uma perspectiva mais ampla. Talvez este seja o momento de deixar críticas tão grosseiras de lado e apreciar um momento único na carreira do duo.

Apesar de ser colocado como um disco pouco inventivo, Yes carrega uma pequena dose de experimentalismo entre suas composições. Enquanto as estruturas de canções Pop e o apego pelos sintetizadores continuavam como marca inegável, Neil Tennant e Chris Lowe tentaram neste álbum entender de que forma sua arte poderia transbordar para outros terrenos.

A produção foi dividida com o coletivo de produtores Xenomania, um grupo que havia trabalhado com a nata do Pop 2000. Além disso, os ingleses procuraram flertar um pouco com o Indie a partir de parcerias com Johnny Marr e Owen Pallett (o que não transparece na sonoridade, mas nas temáticas e estrutura). O experimentalismo chegou a tal ponto que uma parte do concerto de música clássica O Quebra Nozes de Tchaikovsky é colocada como melodia principal na faixa “All Over The World”.

Em relação ao do conteúdo das letras, apesar de menos intenso, o grupo ainda procurava provocar o público, tocando em fragilidades sociais. Quando lançado, a última faixa do LP, “Legacy”, foi censurada na China por remeter a conteúdos politicamente sensíveis (especificamente na expressão “Governments fall” que foi substituída por uma sessão instrumental na versão distribuída no país em questão). 

Fora isso, temas como desilusões amorosas, beleza, diversidade, e tudo que uma ótima canção Pop almeja, fizeram desse disco uma ponte interessante para que uma nova geração pudesse apreciar o talento de composição do duo. A Entertainment Weekly chegou a nomear a canção “Perfect Lullaby” como “uma ótima canção de ninar para a geração Blair Waldorf”. 

Yes é um trabalho injustiçado. Em uma época que ser Indie era a coisa mais legal do mundo, o duo procurava encontrar novas maneiras de atualizar seu som, sem necessariamente se entregar ao estereótipo para vender. Bancar essa autenticidade certamente teve um impacto na apreciação do álbum, mas as vendas ainda assim estavam a favor dele. Mesmo dez anos depois de seu lançamento, Yes soa interessante, principalmente por esta coragem em se manter fiel às suas próprias exigências.

(Yes em uma faixa: “Vulnerable”)

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ARTISTA: Pet Shop Boys
MARCADORES: Synthpop

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.